HOMICÍDIOS EM QUEDA EM PERNAMBUCO

•Dezembro 11, 2009 • Deixe um comentário


Republico esse trabalho porque traz notícias alvissareiras sobre um estado que passou muitos anos sem conseguir reduzir suas taxas de homicídio de maneira consistente

 

Gláucio Ary Dillon Soares


Tiros certeiros na violência

Publicado em 06.12.2009

Estado atingiu marca inédita: 12 meses seguidos de redução na taxa de assassinatos. Instituição de metas e cobranças para policiais integram a fórmula

Autor: Eduardo Machado

eduardomaxado@gmail.com

 

 

O delegado Moari Pimenta e os majores José Teles e José Barros são os funcionários do mês de outubro da Secretaria de Defesa Social (SDS). Responsáveis pela área integrada de segurança 25 (AIS-25), que compreende os municípios de Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista, no Sertão, o delegado seccional e os dois oficiais, comandantes das companhias da PM da região, conseguiram reduzir o número de homicídios na área em 80%, em comparação com outubro do ano passado. Ganharam destaque no site da SDS encabeçando a lista dos gestores mais eficientes no enfrentamento da violência. A queda no número de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de mortes) não se limitou ao Sertão. Espalhou-se por todo o Estado e atingiu no mês passado uma marca inédita: doze meses seguidos de diminuição, chegando a 12,3% de recuo com relação ao período anterior.

Medir o trabalho dos policiais e destacar os eficientes é apenas uma das estratégias de gestão implantadas pelo Governo do Estado na Secretaria de Defesa Social que estão sendo eficientes na diminuição da criminalidade. Vários personagens de fora das corporações policiais precisaram entrar em cena para que essa mudança se concretizasse. O primeiro é o próprio governador Eduardo Campos, que assumiu pessoalmente a coordenação do processo. O secretário de Planejamento, Geraldo Júlio, atuou como gestor do Pacto pela Vida porque tem autoridade para cobrar ações não só da SDS, mas de todas as outras pastas envolvidas na melhoria da segurança pública. Já o professor José Luiz Ratton, assessor especial do governador, teve importância fundamental na definição das bases para uma nova política de enfrentamento da criminalidade.

Até mesmo uma empresa de consultoria (Instituto de Desenvolvimento Gerencial) trabalhou no estudo, diagnóstico e planejamento para desatar os nós da administração no que se refere à Segurança Pública. A sacudida gerencial permitiu que o delegado sertanejo e seus colegas oficiais pudessem ser avaliados, medidos e destacados como forma de incentivo.

 

REVIRAVOLTA

 

Na década de 90, a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, experimentou uma reviravolta no combate à violência com armas semelhantes. A face mais conhecida do programa, implementado pelo então prefeito Rudolph Giuliani, era a chamada Tolerância Zero contra o crime. No entanto, o mérito real estava no Compstat ou estatística computadorizadas. Um sistema muito parecido com o em uso em Pernambuco de acompanhamento e avaliação do desempenho policial por meio de índices criminais.

Apesar dos bons resultados no último ano, ainda há um longo caminho para que a população pernambucana possa sentir uma melhoria na segurança pública. O Estado de São Paulo completa este ano uma década de números de homicídios em queda. Mesmo assim, o medo da criminalidade ainda é uma realidade para a sociedade paulista.

“Estamos há quase uma década com reduções expressivas nos homicídios. No entanto, a sensação de melhoria na segurança ainda permanece mais restrita às áreas de periferia. Nas regiões de classe média, onde o maior problema sempre foram os crimes contra o patrimônio, o avanço tem maior dificuldade em ser percebido pelas pessoas”,

avaliou o pesquisador e chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Túlio Kahn.

 

Baixam as taxas de homicídio em Pernambuco

•Dezembro 1, 2009 • Deixe um comentário

Recebi, de José Maria Nóbrega, artigo que mostra melhoria nas taxas de homicídio em Pernambuco – uma redução de, aproximadamente, dez por cento. A análise mais detalhada, feita por Nóbrega, mostra um movimento contrário: baixa nas cidades grandes e médias, alta nas cidades pequenas e zonas rurais. O saldo é bom para Pernambuco, revelando efeitos positivos das políticas públicas adotadas. É possível que esses resultados revelem uma “sobre”concentração dos recursos onde salvam mais vidas, nas grandes cidades, com população muito maior e taxas de homicídio também maiores.
O artigo foi publicado no Jornal do Commércio.

Número de mortes violentas cai 10% em nove meses
 

Publicado em 01.12.2009 (Jornal do Commercio, Recife)

Até setembro deste ano foram 3.031 homicídios contra 3.398 em 2008. A violência cresce apenas nas cidades que têm menos de 20 mil habitantes
A Agência Condepe/Fidem divulgou ontem, os números consolidados da violência em Pernambuco de janeiro a setembro de 2009. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o total de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) recuou 10,8%, passando de 3.398 no ano passado para 3.031 este ano.
A análise das estatísticas por municípios mostrou que apenas nas cidades com menos de 20 mil habitantes, a violência continua crescendo. “Há duas explicações para isso. A primeira é que em cidades pequenas bastam poucos casos para que a taxa de homicídios cresça muito. Por outro lado, os municípios menores têm menos concentração populacional em áreas urbanas, o que torna mais difícil a inibição da criminalidade pela polícia”, avaliou o gerente de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social, Gerard Sauret.
Dos dez municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, apenas Olinda anotou crescimento no número de homicídios, passando de 193 de janeiro a setembro de 2008, para 198, este ano. A maior queda ocorreu em Garanhuns, no Agreste, com 27 assassinatos de janeiro a setembro de 2009, contra 50, no ano passado.
Com uma média estadual de redução de 11,7% na taxa de homicídios em nove meses, Pernambuco está bem perto de bater a meta de 12% estipulada pelo governo no Pacto pela Vida.
Os dados preliminares de outubro também foram divulgados e a redução na taxa de homicídios ficou em 16,8%. Bem acima do patamar fixado.
Os bons resultados têm animado a cúpula da Segurança Pública de Pernambuco. Em um evento há dez dias, o aumento da meta de redução de homicídios chegou a ser especulado. Com o Estado prestes a completar 12 meses seguidos de queda na violência, o governador Eduardo Campos assegurou que o recuo na taxa de assassinatos será superior aos 12% estabelecidos no Pacto pela Vida.
NOVA META
Já o chefe de Polícia Civil, Manoel Carneiro, cravou, em seu discurso, que a meta deve ser redimensionada, dada a melhoria crescente no desempenho das polícias. “Nossa expectativa é uma redução superior a 12% na taxa de homicídios. Sobre uma nova cifra para a meta, ainda não definimos isso”, afirmou o governador.
O chefe de Polícia Civil se mostrou mais enfático. “Em 2006, a produtividade da Polícia Civil foi de 15.900 inquéritos. Devemos encerrar este ano com mais de 31 mil procedimentos encaminhados à Justiça. Isso nos dá a convicção de que a meta deve ser reavaliada”, pontuou Manoel Carneiro.
A diminuição dos casos de violência deve prosseguir no balanço do mês de novembro. A expectativa é que o Estado tenha menos de 300 assassinatos no período.
Números Absolutos de Homicídios (C.V.L.I.):
Janeiro/Setembro de 2008: 3.398
Janeiro/Setembro de 2009: 3.301
Variação percentual nos N.A.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -10,8%
Taxas de Homicídios:
Janeiro/Setembro de 2008: 39,54
Janeiro/Setembro de 2009: 34,90
Variação percentual nas T.H.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -11,7%
Outros números absolutos:
Municípios com população até 20 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 296 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 325 homicídios
Variação percentual: +9,8%
Municípios com população de 20 a 50 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 564 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 561 homicídios
Variação percentual: -0,53%
Municípios com população de 50 a 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 541 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 484 homicídios
Variação percentual: -10,5%
Municípios com população superios aos 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 1.997 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 1.660 homicídios
Variação percentual: -16,8%
Fontes dos dados: Agência Condepe/Fidem (SDS-PE)

Disponível em: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/12/01/not_357129.php

 

Variações no Crime em São Paulo

•Julho 31, 2009 • Deixe um comentário

Há duas semanas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo tornou públicos os dados sobre a criminalidade no último trimestre. É um ato corriqueiro em paises com transparência e tem sido um
comportamento contínuo no Estado de São Paulo há muitos anos. Mas, para vergonha nossa, ainda há estados no país que não divulgam os dados, há os que os maquilam e adulteram, ou os publicam com muito atraso.

Os dados divulgados talvez não causassem reação não fosse São Paulo o único estado brasileiro a exibir bons resultados há muito tempo: os homicídios vêm baixando há 29 trimestres e São Paulo é, hoje, uma referência internacional no controle da violência, juntamente com Nova Iorque, Bogotá, Medellín e alguns outros lugares. Ocupa, no Brasil, uma posição invejável. Há debates e discordância sobre o as causas dessa redução, mas não a respeito da sua existência.

O estado foi administrado pelo PSDB desde Mario Covas o queintroduz uma dimensão político-partidária. Evidentemente, políticos e simpatizantes afiliados a outros partidos se sentem incômodos com o contraste entre o êxito paulista e o fracasso em tantos estados com governadores de seus partidos.

Os resultados recém divulgados não foram tão bons quanto os anteriores. Os criminólogos olham para isso com tranqüilidade; porém alguns políticos, inclusive jornalistas comprometidos politicamente, sem familiaridade com os dados criminais, expressaram sua alegria.

O que houve? Os homicídios cresceram 0,7% no Estado, porém na capital e na Grande São Paulo caíram 6%, uma queda considerável. Mesmo computando o pequeno aumento, a taxa paulista é, de longe, mais baixa do país. Se os dados seguintes indicarem a mesma tendência à estagnação, muda a forma do fenômeno, que já é conhecida. Chegaram a um plateau. Novas medidas e novas políticas são necessárias para continuar a reduzir os crimes violentos no estado.

O que é isso, o plateau? Algo que acontece com quase todas as políticas públicas bem sucedidas: chegaram ao limite, até onde poderiam chegar. Aconteceu com muitas legislações e com as políticas públicas que se originaram nelas. A “antiga” Lei do Trânsito reduziu as mortes durante quase duas décadas, mas passou a provocar reduções cada vez menores. Alguns chamam isso de efeito-chão (não dá para baixar mais) que, visto positivamente, é um efeito-teto. Os efeitos desse tipo não indicam que chegamos ao limite do possível; indicam que chegamos ao limite dessas políticas. A “nova” Lei do Trânsito provocou uma redução substancial de mais de quatro mil mortes (vidas salvas) só no seu primeiro ano. Infelizmente, a implementação das mesmas medidas ficou cada vez mais desleixadas e as mortes no trânsito voltaram a aumentar. Essa é uma dimensão importante da cultura política, a capacidade de manter as políticas públicas, em oposição a um desleixo que tem determinado o fim da utilidade de tantas políticas públicas relevantes.

É importante saber que, quando há um grande crescimento ou uma grande redução, a composição dos homicídios por sexos se altera. Vítimas e assassinos não são os mesmos quando as taxas são altas e quando são baixas. Os homicídios não são todos iguais; há tipos muito diferentes – difere a vítima, difere o autor, difere a relação entre eles, difere a arma, difere o local da ocorrência e muito mais. No Brasil das últimas décadas, o crescimento dos homicídios tem uma vinculação íntima com o tráfico de drogas e de armas e com o crime organizado (sem colocar o grau de “organização” dos traficantes num nível empresarial). Quando há explosões de homicídios, as taxas de crescimento das mortes masculinas é substancialmente mais alta do que a das femininas. Quando houve redução rápida, ela foi maior entre os homens. As políticas públicas aconselhadas para paises com altas taxas de homicídio são claramente diferentes das aconselhadas para países com baixas taxas.

Quando o êxito das políticas anteriores tem rendimentos decrescentes significa que há necessidade de novas políticas, e/ou de aperfeiçoamento das anteriores. Reduzidos os homicídios relacionados com o tráfico, cresce a significação relativa dos homicídios entre íntimos. Porém, a prevenção de homicídios entre íntimos difere muito da prevenção de homicídios associados ao tráfico etc.

Dados de crimes diferentes não têm a mesma fidedignidade, nem o mesmo peso, daí a dificuldade em construir índices de criminalidade – nos mais simples, que simplesmente somam os crimes, o furto de um celular pesa tanto quanto um homicídio, um absurdo. As pesquisas de vitimização mostram que a sub-enumeração de alguns crimes é de tal magnitude que desfigura os dados. Um “crescimento” pode não significar um crescimento do crime, mas da confiança nas instituições. Há perigosos viéses
seletivos: escolher os que mais cresceram para desacreditar a política ou os que mais caíram para mostrar seus méritos. Um dos artigos publicados mostra um crescimento de 36% nos latrocínios, sem informar que os latrocínios representam uma percentagem pequena do total de mortes violentas intencionais. Naquele trimestre houve 94 latrocínios, 1001 homicídios culposos no trânsito, e 1207 vitimas de homicídios intencionais. A
redução nos homicídios culposos no trânsito foi maior que a totalidade dos latrocínios no trimestre…

Outro dado importante tem a ver com a distribuição geográfica dos crimes com estatísticas confiáveis. Há muita variação entre as taxas dos municípios e das regiões paulistas, sugerindo fenômenos mais localizados que requerem atenção concentrada: algo diferente está acontecendo nessas áreas.

Precisamos melhorar a qualidade dos dados e reduzir a sub-enumeração dos crimes. Enquanto isso não acontece, temos que trabalhar com os mais confiáveis: os que deixam cadáveres, assim como furtos e roubos de veículos, dada a obrigatoriedade do registro para obter o seguro. E o leitor deve se informar para poder ler criticamente o que publica, nunca aceitando como fato o que é opinião.

Gláucio Ary Dillon Soares

Publicado no Correio Braziliense

A banda virtuosa da polícia no Rio de Janeiro

•Julho 4, 2008 • Deixe um comentário

Vale a pena ver o que a ala virtuosa da polícia pode fazer:

MOVIMENTO SEGURANÇA CIDADÃ – BOLETIM Nº 4

Ano I – nº. 4, 3 de julho de 2008

Uma nova Polícia, feita por Policiais Cidadãos.

OS BASTIDORES DA SEGURANÇA PÚBLICA NO RIO DE JANEIRO

Acesse:

www.policiainteligente.blogspot.com

Sumário:

Editorial: “Os 4.000 que estão para morrer”

1º Artigo: A mobilização cívica como ferramenta eficaz para o controle da atividade policial.

2º Artigo: O combate à corrupção como política pública.

3º Artigo: Operação segurança pública ltda.

Notícias: Imperdível!!! Saiba quem é quem: Com vocês, o projeto Excelências.

Para saber mais: Sites e blogs de interesse.

Nova vacina que promete

•Fevereiro 1, 2008 • 2 Comentários

Pesquisadores da University of Southern California desenvolveram uma vacina contra o câncer de próstata que evitou o desenvolvimento desse câncer em camundongos alterados para terem alto risco desse câncer. Nada menos do que 90% deles não tiveram o câncer, segundo artigo publicado no recentíssimo número de 1º de fevereiro da revista Cancer Research. A expectativa é que a mesma lógica possa ser aplicada a homens com alto risco, inclusive os com aumento no PSA. Os camundongos adquiriram uma imunidade que durou toda a vida deles. A pesquisa foi dirigida por W. Martin Kast.
O desenvolvimento da vacina pode mudar o procedimento adotado quando o PSA cresce devagar e não há outros sintomas. Muitos médicos recomendam um acompanhamento cuidadoso e vigilante, mas agora podem agregar a vacina.
Essa estratégia é diferente das usadas até agora, quando são usadas como último recurso, depois que a terapia hormonal perde seu efeito. A vacina age contra uma proteína em altas doses que se encontra na membrana de um terço dos cânceres iniciais, mas que cresce nos cânceres mais avançados. A proteína, PSCA, também se encontra em outros tecidos, inclusive nos tecidos normais da próstata, no cólon, nos rins etc.
Usaram dois grupos de 20 camundongos. Todos os do grupo controle morreram de câncer de próstata, mas apenas dois do grupo vacinado morreram.
Nova perspectiva, nova esperança. Esperança nunca é demais.

O Mapa da Morte

•Janeiro 31, 2008 • Deixe um comentário

O mais recente Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, de 2008, apresenta dados até 2006 sobre as mortes violentas no Brasil, por municípios. É um instrumento importante, com várias contribuições e algumas omissões. A principal contribuição do Mapa é demonstrar que a queda dos homicídios, que começou em 2004, após a promulgação do Estatuto do Desarmamento, continuou.

Foi a primeira vez, desde 1979, que o número absoluto de homicídios caiu e continuou caindo. Foram salvas muitas vidas. Os homicídios, que haviam caído mais de 5% em 2004 em relação a 2003, continuaram caindo em 2005 e 2006, mas a ritmo menor (cerca de 3% ao ano). Foi uma queda esperada e anunciada. Não foram poucos os autores e os artigos prevendo que essa queda se daria em função do Estatuto do Desarmamento. Foram publicados antes e a previsão estava correta.
As mortes por armas de fogo entraram em queda livre – entre 2004 e 2006 morreram 7.200 pessoas a menos do que teriam morrido caso o nível de 2003 fosse mantido. Porem, sem o desarmamento os homicídios estavam crescendo: durante um quarto de século, desde 1979 até 2003, os homicídios cresceram no país; somente entre 1997 e 2003 o crescimento foi de 11.531, em números absolutos, decrescendo a partir de 2004. Na série anterior, houve poucos anos em que os dados indicavam uma redução em relação ao ano anterior; nunca uma redução durante dois anos. Neste caso foram três – até 2006. Seguindo a tendência anterior ao Estatuto, teríamos tido, em 2006, 43235 mortos com armas de fogo.Foram 35969 – sete mil a menos somente em 2006.
Assim, somando, em cada ano, os que morreram a menos com os que teriam morrido em função do aumento esperado pela tendência anterior, o Estatuto salvou milhares de vidas. O risco de morte violenta por homicídio (e por suicídios e por acidentes com armas de fogo) decresceu significativamente para todos os brasileiros, inclusive para os que estão lendo esse artigo – e seus familiares e amigos. Porém, perdemos uma chance histórica de reduzir ainda mais esse risco no Referendo. Não foi o “SIM” que perdeu no Referendo, foi a população brasileira.

Contrariamente ao chute que previa que as vidas salvas das armas de fogo seriam perdidas para outras formas de homicídio, numa inexistente lógica compensatória, o número total de homicídios caiu e milhares de vidas foram salvas. Ouvi de gente inteligente, mas sem conhecimento de Criminologia, que quem quer matar mata de qualquer maneira. Havia muitas dezenas mostrando que isso não é verdade mas, agora, os dados estão aí.
Bons governos salvam vidas. A maior omissão do Mapa se refere ao Estado de São Paulo, que se tornou internacionalmente conhecido como exemplo do combate inteligente à criminalidade violenta. Em 1999, a taxa paulista estava em 44 por 100 mil hbs, mais do dobro da do resto do Brasil. Porém, vários anos de políticas inteligentes e competentes de contenção do crime provocaram uma queda sistemática: 42,1; 41,8; 37,9; 35,9 e 28,6. Os dados de 2004 colocam São Paulo em situação de semelhança com o resto do país. Porém, dados recentes da Secretaria de Segurança Pública mostram que o declínio continuou forte em São Paulo. Dados muito recentes, sobre o 3º trimestre de 2007, mostram que houve 554 mortes a menos do que no mesmo trimestre de 2006. Porém, para manter a comparabilidade com os dados do Mapa, tive que recalcular os dados relativos a 2006. A taxa, pela primeira vez em muito tempo, foi inferior a 20 por 100 mil habitantes. A taxa paulista já está abaixo da mineira, uma inversão histórica, fruto da redução paulista e da explosão da taxa de homicídios durante três governos em Minas Gerais, que só começou a ser reduzida em 2003. De acordo com a versão anterior do Mapa, Minas Gerais passou do quarto estado menos violento do país ao grupo médio-alto (15º mais violento). É preciso estudar esse crescimento, assim como o do Paraná e os de MT e MS, assim como os altos níveis estaduais de Pernambuco e do Espírito Santo, entre outros, para aprender com seus erros. Os estados, constitucionalmente, são os principais responsáveis pelo combate ao crime. As PM’s e as PC’s são estaduais. Porém, a ênfase do mapa foi nos municípios. Não encontrei, no Mapa de 2008, o equivalente à Tabela 2.1 do Mapa de 2007, que comparava as taxas dos estados. Uma consulta às fontes estaduais e aos pesquisadores paulistas revela que, em 2007, os homicídios continuaram caindo. Ou seja, a transição de Alckmin para Serra não alterou a tendência benéfica à redução dos homicídios. O estudo detalhado das políticas públicas paulistas se justifica porque o grosso das políticas relevantes se referiu à melhoria das polícias, à aplicação dos bons princípios da Ciência Policial moderna. Quando Estados e municípios adotam políticas inteligentes, o resultado é excelente, como demonstra Diadema. Em 2004 era o 30º município mais violento; em 2006 tinha baixado para 190º. São Sebastião, Itapecerica e Iaras também tiveram reduções significativas e saíram do rol dos 50 municípios mais violentos do país. Apenas Caraguatatuba permanece nessa posição indesejável. Em contraste, a Cidade de São Paulo, está em 492º lugar.
Rm contraste, Pernambuco tem oito municípios entre os 50 mais violentos e o Rio de Janeiro tem sete. Precisamos estudar tanto os casos exitosos, como São Paulo, quanto os negativos, como Pernambuco, além do Paraná, onde a violência cresceu muito.
Meu olhar, sobrepondo as taxas de homicídio e a distribuição das fronteiras agrícolas, sugere uma relação entre as duas variáveis. As áreas de expansão desordenada, além dos gigantescos danos ecológicos, têm altíssimas taxas de homicídio.
O Mapa enfatiza a interiorização dos homicídios e a alta participação dos jovens entre as vítimas de homicídio. Um dado faltante, de fácil, obtenção se refere ao gênero que, no Brasil, é um dos grandes determinantes do risco de vitimização – pelo menos tão importante quanto a idade; os mesmos dados, apresentados por gênero, podem apresentar diferenças significativas porque a relação entre idade, por um lado, e criminalidade e vitimização, pelo outro, é muito diferente entre mulheres. Falta, também, incluir a raça entre os fatores determinantes da vitimização. Controlando a classe social, o gênero, a idade e o estado civil, a raça é um importante determinante da vitimização por homicídios. Os dados são mais recentes e menos confiáveis do que os relativos ao gênero e ao sexo, mas essa seria uma importante adição ao esquema explicativo porque os negros têm um risco muito mais alto de vitimização por homicídios.
E já que essa é, também, uma lista dos meus desejos para edições futuras desse utilíssimo Mapa, uma análise estatisticamente um pouco mais sofisticada, multi-nível, separando os efeitos dos estados e os dos municípios, seria uma grande contribuição para aquilatar os efeitos de diferentes políticas públicas.
No conjunto, são notícias auspiciosas, que mostram que o risco de morrer assassinado no Brasil como um todo está baixando.

Enfrentando o trauma do suicídio e tentativas

•Janeiro 28, 2008 • Deixe um comentário

A Universidade de Harvard tem uma publicação, <i>Healthbeat</i>, de onde tirei algumas idéias e conselhos, adaptando-os.
Em seu último número tratou de “grief”, sentimento de perda que não necessita se referir apenas a morte, mas inclui outras perdas. Orienta pessoas que enfrentam (ão) a dor de uma perda, que pode se ampliar por muito tempo. Certamente se aplica pessoas que perderam um parente ou amigo para a violência suicida, ou que foram assaltados com violência, ou que ficaram traumatizados. Sublinha que os detalhes da vida passam a ser difíceis de superar, inclusive levantar da cama, resolver problemas que, no Brasil, consomem muito tempo e são penosos etc. Alguns parecem, também, irrelevantes e acabamos empurrando muitos com a barriga. Porém, os problemas não desaparecem e ficam lá esperando, às vezes crescendo. Não obstante, esse é um momento de abandonar temporariamente as coisas e preocupações não vitais e um dos problemas é saber discernir o que é importante do que não é. O importante é concentrar seus esforços em si mesmo e superar essa etapa.

Comece com uma boa nutrição. Nada de se encher de calorias. Tome muitos líquidos, sucos, chá verde. Evite as bebidas alcoólicas. Se não tiver apetite, tente comidas mais simples, como sopas, frutas, alguns pratos de massa. Como pouco, mas coma muitas vezes. Não encha a barriga de uma só vez. Vale a pena tomar um complexo multivitamínico de um bom fabricante. Continue tomando seus remédios, não os abandone. Se a barra estiver pesada, fale com seu médico, preferivelmente um psiquiatra, e veja se é o caso de tomar um ansiolítico ou um anti-depressivo. Esses remédios podem ajudar muitas pessoas, mas não se auto-medique.

Não deixe de dormir! A dor e a perda são muito cansativas. Durma às horas certas e se necessário cochile meia hora depois do almoço. Não se esqueça de exercitar – ajuda tudo, inclusive a dormir (mas não se exercite nas duas horas antes de dormir). Esqueça café e cafeína das 14hs em diante. E nem pensar em beber, sobretudo perto da hora de dormir. Remédios para ajudar a dormir podem ajudar, mas durante um período curto, que pode ser exatamente quando você precisa. Dormir bem faz com que você enfrente melhor os problemas do dia seguinte.

Falar em exercício com quem está de luto ou teve outro tipo de perda pode parecer irreal, mas é exatamente o que temos que fazer. Andar, correr, andar de bicicleta ou malhar podem reduzir a ansiedade, a raiva, a depressão e muito mais. O exercício pode distrair. Se necessário, veja TV enquanto se exercita numa esteira ou numa bicicleta ergométrica.

Busque amigos. Mesmo que não conversem muito, a simples presença de um amigo ou amiga já pode ajudar muito. Dá para juntar as duas coisas, marcand, fazendo e honrando um compromisso de, por exemplo, andar juntos umas quantas vezes por semana. Falando e botando para fora, ou guardando, andar na companhia de uma pessoa amiga ajuda muito.

Muita gente faz coisas perigosas, como beber muito, consumir drogas, entrar no mar forte etc. Causam mais mal do que bem e o mal que podem causar é muito grande.

Técnicas para aliviar o estresse, como yoga, meditação, relaxamento, oração ajudam muito e devemos nos forçar a usá-las. Na maioria dos casos funcionam e ajudam. Não tome decisões muito importantes: esse é um período ruim para tomá-las. Alguns sugerem esperar seis meses ou um ano até mudar de residência, deixar o trabalho, ou casar.

Pergunte: o que eu gostaria de fazer hoje por mim e para mim, e faça. Se precisa chorar, chore. Se precisa de um retiro, faça. Se está zangado, expresse sua raiva – mas não para cima de qualquer pessoa.

Finalmente, lembre-se de que há pessoas treinadas e competentes que podem ajudá-lo(a) a superar essa fase. Ajuda saber, de antemão, quem é competente e sabe fazê-lo.

A gente sofre, sim, mas o sofrimento diminui ou acaba, e podemos fazer muito para reduzir o sofrimento e a dor.

Enfrentando a dor e o luto

•Janeiro 28, 2008 • Deixe um comentário

A Universidade de Harvard tem uma publicação, HEALTHbeat

Em seu último número tratou de “grief”, sentimento de perda que não necessita se referir apenas a morte, mas inclui outras perdas. Orienta pessoas que enfrentam (ão) a dor de uma perda, que pode se ampliar por muito tempo. Certamente se aplica pessoas que perderam um parente ou amigo para a violência, ou que foram assaltados com violência, ou que ficaram traumatizados Sublinha que os detalhes da vida passam a ser difíceis de superar, inclusive levantar da cama, resolver problemas que, no Brasil, consomem muito tempo e são penosos etc. Alguns parecem, também, irrelevantes e acabamos empurrando muitos com a barriga. Porém, os problemas não desaparecem e ficam lá esperando, às vezes crescendo. Não obstante, esse é um momento de abandonar temporariamente as coisas e preocupações não vitais e um dos problemas é saber discernir o que é importante do que não é. O importante é concentrar seus esforços em si mesmo e superar essa etapa.

Comece com uma boa nutrição. Nada de se encher de calorias. Tome muitos líquidos, sucos, chá verde. Evite as bebidas alcoólicas. Se não tiver apetite, tente comidas mais simples, como sopas, frutas, alguns pratos de massa. Como pouco, mas coma muitas vezes. Não encha a barriga de uma só vez. Vale a pena tomar um complexo multivitamínico de um bom fabricante. Continue tomando seus remédios, não os abandone.

Se a barra estiver pesada, fale com seu médico, preferivelmente um psiquiatra, e veja se é o caso de tomar um ansiolítico ou um anti-depressivo. Esses remédios podem ajudar muitas pessoas, mas não se auto-medique.

Não deixe de dormir. A dor e a perda são muito cansativas. Durma às horas certas e se necessário cochile meia hora depois do almoço. Não se esqueça de exercitar – ajuda tudo, inclusive a dormir (mas não se exercite nas duas horas antes de dormir). Esqueça café e cafeína das 14hs em diante. E nem pensar em beber, sobretudo perto da hora de dormir. Remédios para ajudar a dormir podem ajudar, mas durante um período curto, que pode ser exatamente quando você precisa. Dormir bem faz com que você enfrente melhor os problemas do dia seguinte.

Falar em exercício com quem está de luto ou teve outro tipo de perda pode parecer irreal, mas é exatamente o que temos que fazer. Andar, correr, andar de bicicleta ou malhar podem reduzir a ansiedade, a raiva, a depressão e muito mais. O exercício pode distrair. Se necessário, veja TV enquanto se exercita numa esteira ou numa bicicleta ergométrica.

Busque amigos. Mesmo que não conversem muito, a simples presença de um amigo ou amiga já pode ajudar muito. Dá para juntar as duas coisas, marcand, fazendo e honrando um compromisso de, por exemplo, andar juntos umas quantas vezes por semana. Falando e botando para fora, ou guardando, andar na companhia de uma pessoa amiga ajuda muito.

Muita gente faz coisas perigosas, como beber muito, consumir drogas, entrar no mar forte etc. Causam mais mal do que bem e o mal que podem causar é muito grande.

Técnicas para aliviar o estresse, como yoga, meditação, relaxamento, oração ajudam muito e devemos nos forçar a usá-las. Na maioria dos casos funcionam e ajudam.

Não tome decisões muito importantes: esse é um período ruim para tomá-las. Alguns sugerem esperar seis meses ou um ano até mudar de residência, deixar o trabalho, e até casar.

Pergunte: o que eu gostaria de fazer hoje por mim e para mim, e faça. Se precisa chorar, chore. Se precisa de um retiro, faça. Se está zangado, expresse sua raiva – mas não para cima de qualquer pessoa.

Finalmente, lembre-se de que há pessoas treinadas e competentes que podem ajudá-lo(a) a superar essa fase. Ajuda saber, de antemão, quem é competente e sabe fazê-lo.

A gente sofre, sim, mas o sofrimento diminui ou acaba, e podemos fazer muito para reduzir o sofrimento e a dor.

Profissão: médico e serial killer

•Janeiro 25, 2008 • Deixe um comentário

Publicado no CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 • 21

Um dos maiores serial killers da história era um médico, o inglês Harold Shipman – médico de Manchester. Oficialmente, Shipman matou 215 de seus próprios pacientes. Há suspeitas de que foram muitos mais. A primeira parece ter sido Mrs. Eva Lyons, que foi morta por Shipman logo depois dele começar a prática da medicina em West Yorkshire, no Reino Unido. Talvez a última tenha sido Kathleen Grundy, uma viúva de 81 anos, que era uma pessoa ativa e que gozava de boa saúde antes de ser assassinada em 24 de Junho de 1998. Shipman matou impunemente durante 23 anos!

Inicialmente, Shipman foi condenado em janeiro de 2000 por 15 homicídios e por falsificar um testamento; em janeiro de 2004, quatro anos depois, se suicidou.

A história pessoa e familiar de Shipman não é excepcional. Nasceu em 1946 e perdeu a mãe, Vera, quando ele tinha 17. Vera morreu de câncer. Alguns ligam a morte da mãe à obsessão posterior, mas não é pequeno o número de pessoas que perdem a mãe aos 17 ou antes. Dois anos depois, como estudante de Medicina, Shipman engravidou sua namorada, filha de um fazendeiro, casando com ela. Ele tinha 19 anos. Até aí, nada de verdadeiramente excepcional. Alguns anos mais tarde se formou e começou a exercer a profissão.

Os problemas começaram mais tarde. Shipman começou a se drogar e, como médico, tinha fácil acesso a anestésicos injetáveis. Foi descoberto e renunciou ao emprego, mas não à carreira. Mais tarde recebeu uma pena leve de 600 libras pelo uso ilegal de drogas e por ter falsificado receitas. Sua licença não foi cassada. Muitos especulam sobre o que teria e o que não teria acontecido se a lei Inglesa fosse mais dura com usuários e falsificadores. Alguns argumentam que muitas vítimas estariam vivas; outros dizem que não. É impossível saber. Ele não foi impedido de exercer a profissão, recebendo, apenas, uma carta de advertência. Fez um tratamento psiquiátrico e voltou a praticar medicina. Mais uma vez, pessoas se perguntam se ele tivesse sido impedido de praticar a medicina se as vítimas, quase todas suas pacientes, teriam sido poupadas. É difícil responder. O que sabemos é que ele voltou a exercer a medicina em Durham e que matou um grande número de suas pacientes.

Em 1979, Shipman começou sua prática como clínico geral em in Hyde, Greater Manchester. Continuava casado com Primrose com quem já tinha quatro filhos. Foi somente vários anos mais tarde, em 1985, que a polícia investigou a morte de uma das suas pacientes, mas não houve qualquer medida contra ele. Em 1992, Shipman fundou sua clínica particular. Em 1998, um colega expressou preocupações a um policial a respeito das mortes de pacientes de Shipman e a polícia começa, vagarosamente, uma investigação. Porém, até que fosse preso e impedido de matar mais, outras três pessoas morreriam. É possível que a morte de uma ex-prefeita da cidade, paciente de Shipman, tenha contribuído para acelerar a pesquisa policial. Mas talvez tivesse passado em branco, não fosse a ganância desmedida de Shipman que alterou o testamento da ex-prefeita, de maneira a ser o único herdeiro. A filha dela, uma advogada, pediu que o corpo da mãe fosse exumado em 1º de agosto de 1998. Os resultados são claros e Shipman foi acusado de assassinato e de falsificação de documentos (teria $ 350 mil libras a receber). Finalmente, foi preso. Há quem ache que se a vítima não fosse uma ex-prefeita e sua filha uma advogada que Shipman talvez estivesse ainda vivo e matando.

A descoberta de veneno em um corpo gerou uma busca ampliada. Em três dias consecutivos, três corpos foram exumados, inclusive de Bianka Pomfret, de apenas 49 anos, que morrera em Dezembro de 1997. A partir daí, vários corpos das vitimas de Shipman, quase todas ex-pacientes, foram exumados e revelaram sinais de envenenamento. A mulher de Shipman, Primrose, prestou depoimento, mas disse não saber de nada. Os relatórios das primeiras investigações sobre Shipman foram publicados, ficando clara a incompetência e a falta de seriedade de dois policiais que não levantaram suspeitas mesmo diante de evidências claras.

A descoberta de que o maior serial killer da historia da Grã-Bretanha era um médico com um histórico complicado provocou uma onda de críticas ao General Medical Council, cuja missão era defender os pacientes, mas cujo corporativismo o levava a proteger os médicos, inclusive os criminosos – e não os pacientes.

Shipman tinha um claro modus operandi. Muitas de suas vítimas eram mulheres idosas, escolhidas porque viviam sozinhas, o que favorecia que ele aplicasse injeções letais de diamorfina, sua maneira predileta de matá-las. Esse modus operandi parece ter contribuído para que matasse por muito tempo.

É clara a contribuição das autoridades policiais e das organizações médicas para a tragédia, gerando uma chuva de protestos e de processos. O Criminal Injuries Compensation Board já pagou mais de £731,000 em indenizações, mas mais processos continuam a surgir.

Os legisladores ingleses reagiram ao absurdo e os médicos agora devem passar por uma verificação criminal, ter ficha “limpa”, o que mostraria que Shipman prescrevia quantidades indevidas de petidina, obrigando os médicos a declararem doações de seus pacientes e a declarar todas as mortes em suas clínicas.

As mulheres serial-killers levam, na média, muito mais tempo até serem descobertas do que os homens. Em parte isso se deve ao seu método preferido, o envenenamento. Mas Shipman superou, de longe, a média do tempo de impunidade das mulheres serial-killers e, para isso, teve ajuda. Como em muitos casos, a impunidade, nossa velha conhecida, pessoas e instituições colaboraram – no caso as associações médicas, devido ao seu corporativismo, e a polícia, devido à sua incompetência e desleixo.

Analisar os serial-killers somente a partir da personalidade do assassino é um erro. Houve muitas falhas institucionais que contribuíram para um número de mortes estimadas hoje em mais de trezentas.

Recursos para tratamentos naturais

•Janeiro 25, 2008 • Deixe um comentário
A boa notícia vem da Escócia. Um grupo de pesquisadores recebeu dois milhões e meio de libras para pesquisar novas drogas que seriam usadas no luta contra o câncer de próstata. Até aí, meritório, mas comum. O que não é comum é que esse grupo identificou ingredientes em plantas que bloqueiam os caminhos celulares relacionados com inflamações que estão relacionadas com o câncer de próstata. Cancer Research UK fez essa doação para que desenvolvam moléculas e criem um tipo novo de droga anti-câncer que dificulte ou impeça o crescimento do câncer. A escolha de Strathclyde não é acidental. A universidade tem uma tradição de pesquisa que partem de fontes “naturais” para chegar a remédios – em diferentes áreas.
Essa orientação se deve a que os pacientes “que tem alta expressão dos enzimas deste caminho inflamatório” tem um tempo menor até a volta do câncer e também até a morte.

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