Variações no Crime em São Paulo

•Julho 31, 2009 • Deixe um comentário

Há duas semanas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo tornou públicos os dados sobre a criminalidade no último trimestre. É um ato corriqueiro em paises com transparência e tem sido um
comportamento contínuo no Estado de São Paulo há muitos anos. Mas, para vergonha nossa, ainda há estados no país que não divulgam os dados, há os que os maquilam e adulteram, ou os publicam com muito atraso.

Os dados divulgados talvez não causassem reação não fosse São Paulo o único estado brasileiro a exibir bons resultados há muito tempo: os homicídios vêm baixando há 29 trimestres e São Paulo é, hoje, uma referência internacional no controle da violência, juntamente com Nova Iorque, Bogotá, Medellín e alguns outros lugares. Ocupa, no Brasil, uma posição invejável. Há debates e discordância sobre o as causas dessa redução, mas não a respeito da sua existência.

O estado foi administrado pelo PSDB desde Mario Covas o queintroduz uma dimensão político-partidária. Evidentemente, políticos e simpatizantes afiliados a outros partidos se sentem incômodos com o contraste entre o êxito paulista e o fracasso em tantos estados com governadores de seus partidos.

Os resultados recém divulgados não foram tão bons quanto os anteriores. Os criminólogos olham para isso com tranqüilidade; porém alguns políticos, inclusive jornalistas comprometidos politicamente, sem familiaridade com os dados criminais, expressaram sua alegria.

O que houve? Os homicídios cresceram 0,7% no Estado, porém na capital e na Grande São Paulo caíram 6%, uma queda considerável. Mesmo computando o pequeno aumento, a taxa paulista é, de longe, mais baixa do país. Se os dados seguintes indicarem a mesma tendência à estagnação, muda a forma do fenômeno, que já é conhecida. Chegaram a um plateau. Novas medidas e novas políticas são necessárias para continuar a reduzir os crimes violentos no estado.

O que é isso, o plateau? Algo que acontece com quase todas as políticas públicas bem sucedidas: chegaram ao limite, até onde poderiam chegar. Aconteceu com muitas legislações e com as políticas públicas que se originaram nelas. A “antiga” Lei do Trânsito reduziu as mortes durante quase duas décadas, mas passou a provocar reduções cada vez menores. Alguns chamam isso de efeito-chão (não dá para baixar mais) que, visto positivamente, é um efeito-teto. Os efeitos desse tipo não indicam que chegamos ao limite do possível; indicam que chegamos ao limite dessas políticas. A “nova” Lei do Trânsito provocou uma redução substancial de mais de quatro mil mortes (vidas salvas) só no seu primeiro ano. Infelizmente, a implementação das mesmas medidas ficou cada vez mais desleixadas e as mortes no trânsito voltaram a aumentar. Essa é uma dimensão importante da cultura política, a capacidade de manter as políticas públicas, em oposição a um desleixo que tem determinado o fim da utilidade de tantas políticas públicas relevantes.

É importante saber que, quando há um grande crescimento ou uma grande redução, a composição dos homicídios por sexos se altera. Vítimas e assassinos não são os mesmos quando as taxas são altas e quando são baixas. Os homicídios não são todos iguais; há tipos muito diferentes – difere a vítima, difere o autor, difere a relação entre eles, difere a arma, difere o local da ocorrência e muito mais. No Brasil das últimas décadas, o crescimento dos homicídios tem uma vinculação íntima com o tráfico de drogas e de armas e com o crime organizado (sem colocar o grau de “organização” dos traficantes num nível empresarial). Quando há explosões de homicídios, as taxas de crescimento das mortes masculinas é substancialmente mais alta do que a das femininas. Quando houve redução rápida, ela foi maior entre os homens. As políticas públicas aconselhadas para paises com altas taxas de homicídio são claramente diferentes das aconselhadas para países com baixas taxas.

Quando o êxito das políticas anteriores tem rendimentos decrescentes significa que há necessidade de novas políticas, e/ou de aperfeiçoamento das anteriores. Reduzidos os homicídios relacionados com o tráfico, cresce a significação relativa dos homicídios entre íntimos. Porém, a prevenção de homicídios entre íntimos difere muito da prevenção de homicídios associados ao tráfico etc.

Dados de crimes diferentes não têm a mesma fidedignidade, nem o mesmo peso, daí a dificuldade em construir índices de criminalidade – nos mais simples, que simplesmente somam os crimes, o furto de um celular pesa tanto quanto um homicídio, um absurdo. As pesquisas de vitimização mostram que a sub-enumeração de alguns crimes é de tal magnitude que desfigura os dados. Um “crescimento” pode não significar um crescimento do crime, mas da confiança nas instituições. Há perigosos viéses
seletivos: escolher os que mais cresceram para desacreditar a política ou os que mais caíram para mostrar seus méritos. Um dos artigos publicados mostra um crescimento de 36% nos latrocínios, sem informar que os latrocínios representam uma percentagem pequena do total de mortes violentas intencionais. Naquele trimestre houve 94 latrocínios, 1001 homicídios culposos no trânsito, e 1207 vitimas de homicídios intencionais. A
redução nos homicídios culposos no trânsito foi maior que a totalidade dos latrocínios no trimestre…

Outro dado importante tem a ver com a distribuição geográfica dos crimes com estatísticas confiáveis. Há muita variação entre as taxas dos municípios e das regiões paulistas, sugerindo fenômenos mais localizados que requerem atenção concentrada: algo diferente está acontecendo nessas áreas.

Precisamos melhorar a qualidade dos dados e reduzir a sub-enumeração dos crimes. Enquanto isso não acontece, temos que trabalhar com os mais confiáveis: os que deixam cadáveres, assim como furtos e roubos de veículos, dada a obrigatoriedade do registro para obter o seguro. E o leitor deve se informar para poder ler criticamente o que publica, nunca aceitando como fato o que é opinião.

Gláucio Ary Dillon Soares

Publicado no Correio Braziliense

A banda virtuosa da polícia no Rio de Janeiro

•Julho 4, 2008 • Deixe um comentário

Vale a pena ver o que a ala virtuosa da polícia pode fazer:

MOVIMENTO SEGURANÇA CIDADÃ – BOLETIM Nº 4

Ano I – nº. 4, 3 de julho de 2008

Uma nova Polícia, feita por Policiais Cidadãos.

OS BASTIDORES DA SEGURANÇA PÚBLICA NO RIO DE JANEIRO

Acesse:

www.policiainteligente.blogspot.com

Sumário:

Editorial: “Os 4.000 que estão para morrer”

1º Artigo: A mobilização cívica como ferramenta eficaz para o controle da atividade policial.

2º Artigo: O combate à corrupção como política pública.

3º Artigo: Operação segurança pública ltda.

Notícias: Imperdível!!! Saiba quem é quem: Com vocês, o projeto Excelências.

Para saber mais: Sites e blogs de interesse.

Nova vacina que promete

•Fevereiro 1, 2008 • 2 Comentários

Pesquisadores da University of Southern California desenvolveram uma vacina contra o câncer de próstata que evitou o desenvolvimento desse câncer em camundongos alterados para terem alto risco desse câncer. Nada menos do que 90% deles não tiveram o câncer, segundo artigo publicado no recentíssimo número de 1º de fevereiro da revista Cancer Research. A expectativa é que a mesma lógica possa ser aplicada a homens com alto risco, inclusive os com aumento no PSA. Os camundongos adquiriram uma imunidade que durou toda a vida deles. A pesquisa foi dirigida por W. Martin Kast.
O desenvolvimento da vacina pode mudar o procedimento adotado quando o PSA cresce devagar e não há outros sintomas. Muitos médicos recomendam um acompanhamento cuidadoso e vigilante, mas agora podem agregar a vacina.
Essa estratégia é diferente das usadas até agora, quando são usadas como último recurso, depois que a terapia hormonal perde seu efeito. A vacina age contra uma proteína em altas doses que se encontra na membrana de um terço dos cânceres iniciais, mas que cresce nos cânceres mais avançados. A proteína, PSCA, também se encontra em outros tecidos, inclusive nos tecidos normais da próstata, no cólon, nos rins etc.
Usaram dois grupos de 20 camundongos. Todos os do grupo controle morreram de câncer de próstata, mas apenas dois do grupo vacinado morreram.
Nova perspectiva, nova esperança. Esperança nunca é demais.

O Mapa da Morte

•Janeiro 31, 2008 • Deixe um comentário

O mais recente Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, de 2008, apresenta dados até 2006 sobre as mortes violentas no Brasil, por municípios. É um instrumento importante, com várias contribuições e algumas omissões. A principal contribuição do Mapa é demonstrar que a queda dos homicídios, que começou em 2004, após a promulgação do Estatuto do Desarmamento, continuou.

Foi a primeira vez, desde 1979, que o número absoluto de homicídios caiu e continuou caindo. Foram salvas muitas vidas. Os homicídios, que haviam caído mais de 5% em 2004 em relação a 2003, continuaram caindo em 2005 e 2006, mas a ritmo menor (cerca de 3% ao ano). Foi uma queda esperada e anunciada. Não foram poucos os autores e os artigos prevendo que essa queda se daria em função do Estatuto do Desarmamento. Foram publicados antes e a previsão estava correta.
As mortes por armas de fogo entraram em queda livre – entre 2004 e 2006 morreram 7.200 pessoas a menos do que teriam morrido caso o nível de 2003 fosse mantido. Porem, sem o desarmamento os homicídios estavam crescendo: durante um quarto de século, desde 1979 até 2003, os homicídios cresceram no país; somente entre 1997 e 2003 o crescimento foi de 11.531, em números absolutos, decrescendo a partir de 2004. Na série anterior, houve poucos anos em que os dados indicavam uma redução em relação ao ano anterior; nunca uma redução durante dois anos. Neste caso foram três – até 2006. Seguindo a tendência anterior ao Estatuto, teríamos tido, em 2006, 43235 mortos com armas de fogo.Foram 35969 – sete mil a menos somente em 2006.
Assim, somando, em cada ano, os que morreram a menos com os que teriam morrido em função do aumento esperado pela tendência anterior, o Estatuto salvou milhares de vidas. O risco de morte violenta por homicídio (e por suicídios e por acidentes com armas de fogo) decresceu significativamente para todos os brasileiros, inclusive para os que estão lendo esse artigo – e seus familiares e amigos. Porém, perdemos uma chance histórica de reduzir ainda mais esse risco no Referendo. Não foi o “SIM” que perdeu no Referendo, foi a população brasileira.

Contrariamente ao chute que previa que as vidas salvas das armas de fogo seriam perdidas para outras formas de homicídio, numa inexistente lógica compensatória, o número total de homicídios caiu e milhares de vidas foram salvas. Ouvi de gente inteligente, mas sem conhecimento de Criminologia, que quem quer matar mata de qualquer maneira. Havia muitas dezenas mostrando que isso não é verdade mas, agora, os dados estão aí.
Bons governos salvam vidas. A maior omissão do Mapa se refere ao Estado de São Paulo, que se tornou internacionalmente conhecido como exemplo do combate inteligente à criminalidade violenta. Em 1999, a taxa paulista estava em 44 por 100 mil hbs, mais do dobro da do resto do Brasil. Porém, vários anos de políticas inteligentes e competentes de contenção do crime provocaram uma queda sistemática: 42,1; 41,8; 37,9; 35,9 e 28,6. Os dados de 2004 colocam São Paulo em situação de semelhança com o resto do país. Porém, dados recentes da Secretaria de Segurança Pública mostram que o declínio continuou forte em São Paulo. Dados muito recentes, sobre o 3º trimestre de 2007, mostram que houve 554 mortes a menos do que no mesmo trimestre de 2006. Porém, para manter a comparabilidade com os dados do Mapa, tive que recalcular os dados relativos a 2006. A taxa, pela primeira vez em muito tempo, foi inferior a 20 por 100 mil habitantes. A taxa paulista já está abaixo da mineira, uma inversão histórica, fruto da redução paulista e da explosão da taxa de homicídios durante três governos em Minas Gerais, que só começou a ser reduzida em 2003. De acordo com a versão anterior do Mapa, Minas Gerais passou do quarto estado menos violento do país ao grupo médio-alto (15º mais violento). É preciso estudar esse crescimento, assim como o do Paraná e os de MT e MS, assim como os altos níveis estaduais de Pernambuco e do Espírito Santo, entre outros, para aprender com seus erros. Os estados, constitucionalmente, são os principais responsáveis pelo combate ao crime. As PM’s e as PC’s são estaduais. Porém, a ênfase do mapa foi nos municípios. Não encontrei, no Mapa de 2008, o equivalente à Tabela 2.1 do Mapa de 2007, que comparava as taxas dos estados. Uma consulta às fontes estaduais e aos pesquisadores paulistas revela que, em 2007, os homicídios continuaram caindo. Ou seja, a transição de Alckmin para Serra não alterou a tendência benéfica à redução dos homicídios. O estudo detalhado das políticas públicas paulistas se justifica porque o grosso das políticas relevantes se referiu à melhoria das polícias, à aplicação dos bons princípios da Ciência Policial moderna. Quando Estados e municípios adotam políticas inteligentes, o resultado é excelente, como demonstra Diadema. Em 2004 era o 30º município mais violento; em 2006 tinha baixado para 190º. São Sebastião, Itapecerica e Iaras também tiveram reduções significativas e saíram do rol dos 50 municípios mais violentos do país. Apenas Caraguatatuba permanece nessa posição indesejável. Em contraste, a Cidade de São Paulo, está em 492º lugar.
Rm contraste, Pernambuco tem oito municípios entre os 50 mais violentos e o Rio de Janeiro tem sete. Precisamos estudar tanto os casos exitosos, como São Paulo, quanto os negativos, como Pernambuco, além do Paraná, onde a violência cresceu muito.
Meu olhar, sobrepondo as taxas de homicídio e a distribuição das fronteiras agrícolas, sugere uma relação entre as duas variáveis. As áreas de expansão desordenada, além dos gigantescos danos ecológicos, têm altíssimas taxas de homicídio.
O Mapa enfatiza a interiorização dos homicídios e a alta participação dos jovens entre as vítimas de homicídio. Um dado faltante, de fácil, obtenção se refere ao gênero que, no Brasil, é um dos grandes determinantes do risco de vitimização – pelo menos tão importante quanto a idade; os mesmos dados, apresentados por gênero, podem apresentar diferenças significativas porque a relação entre idade, por um lado, e criminalidade e vitimização, pelo outro, é muito diferente entre mulheres. Falta, também, incluir a raça entre os fatores determinantes da vitimização. Controlando a classe social, o gênero, a idade e o estado civil, a raça é um importante determinante da vitimização por homicídios. Os dados são mais recentes e menos confiáveis do que os relativos ao gênero e ao sexo, mas essa seria uma importante adição ao esquema explicativo porque os negros têm um risco muito mais alto de vitimização por homicídios.
E já que essa é, também, uma lista dos meus desejos para edições futuras desse utilíssimo Mapa, uma análise estatisticamente um pouco mais sofisticada, multi-nível, separando os efeitos dos estados e os dos municípios, seria uma grande contribuição para aquilatar os efeitos de diferentes políticas públicas.
No conjunto, são notícias auspiciosas, que mostram que o risco de morrer assassinado no Brasil como um todo está baixando.

Enfrentando o trauma do suicídio e tentativas

•Janeiro 28, 2008 • Deixe um comentário

A Universidade de Harvard tem uma publicação, <i>Healthbeat</i>, de onde tirei algumas idéias e conselhos, adaptando-os.
Em seu último número tratou de “grief”, sentimento de perda que não necessita se referir apenas a morte, mas inclui outras perdas. Orienta pessoas que enfrentam (ão) a dor de uma perda, que pode se ampliar por muito tempo. Certamente se aplica pessoas que perderam um parente ou amigo para a violência suicida, ou que foram assaltados com violência, ou que ficaram traumatizados. Sublinha que os detalhes da vida passam a ser difíceis de superar, inclusive levantar da cama, resolver problemas que, no Brasil, consomem muito tempo e são penosos etc. Alguns parecem, também, irrelevantes e acabamos empurrando muitos com a barriga. Porém, os problemas não desaparecem e ficam lá esperando, às vezes crescendo. Não obstante, esse é um momento de abandonar temporariamente as coisas e preocupações não vitais e um dos problemas é saber discernir o que é importante do que não é. O importante é concentrar seus esforços em si mesmo e superar essa etapa.

Comece com uma boa nutrição. Nada de se encher de calorias. Tome muitos líquidos, sucos, chá verde. Evite as bebidas alcoólicas. Se não tiver apetite, tente comidas mais simples, como sopas, frutas, alguns pratos de massa. Como pouco, mas coma muitas vezes. Não encha a barriga de uma só vez. Vale a pena tomar um complexo multivitamínico de um bom fabricante. Continue tomando seus remédios, não os abandone. Se a barra estiver pesada, fale com seu médico, preferivelmente um psiquiatra, e veja se é o caso de tomar um ansiolítico ou um anti-depressivo. Esses remédios podem ajudar muitas pessoas, mas não se auto-medique.

Não deixe de dormir! A dor e a perda são muito cansativas. Durma às horas certas e se necessário cochile meia hora depois do almoço. Não se esqueça de exercitar – ajuda tudo, inclusive a dormir (mas não se exercite nas duas horas antes de dormir). Esqueça café e cafeína das 14hs em diante. E nem pensar em beber, sobretudo perto da hora de dormir. Remédios para ajudar a dormir podem ajudar, mas durante um período curto, que pode ser exatamente quando você precisa. Dormir bem faz com que você enfrente melhor os problemas do dia seguinte.

Falar em exercício com quem está de luto ou teve outro tipo de perda pode parecer irreal, mas é exatamente o que temos que fazer. Andar, correr, andar de bicicleta ou malhar podem reduzir a ansiedade, a raiva, a depressão e muito mais. O exercício pode distrair. Se necessário, veja TV enquanto se exercita numa esteira ou numa bicicleta ergométrica.

Busque amigos. Mesmo que não conversem muito, a simples presença de um amigo ou amiga já pode ajudar muito. Dá para juntar as duas coisas, marcand, fazendo e honrando um compromisso de, por exemplo, andar juntos umas quantas vezes por semana. Falando e botando para fora, ou guardando, andar na companhia de uma pessoa amiga ajuda muito.

Muita gente faz coisas perigosas, como beber muito, consumir drogas, entrar no mar forte etc. Causam mais mal do que bem e o mal que podem causar é muito grande.

Técnicas para aliviar o estresse, como yoga, meditação, relaxamento, oração ajudam muito e devemos nos forçar a usá-las. Na maioria dos casos funcionam e ajudam. Não tome decisões muito importantes: esse é um período ruim para tomá-las. Alguns sugerem esperar seis meses ou um ano até mudar de residência, deixar o trabalho, ou casar.

Pergunte: o que eu gostaria de fazer hoje por mim e para mim, e faça. Se precisa chorar, chore. Se precisa de um retiro, faça. Se está zangado, expresse sua raiva – mas não para cima de qualquer pessoa.

Finalmente, lembre-se de que há pessoas treinadas e competentes que podem ajudá-lo(a) a superar essa fase. Ajuda saber, de antemão, quem é competente e sabe fazê-lo.

A gente sofre, sim, mas o sofrimento diminui ou acaba, e podemos fazer muito para reduzir o sofrimento e a dor.

Enfrentando a dor e o luto

•Janeiro 28, 2008 • Deixe um comentário

A Universidade de Harvard tem uma publicação, HEALTHbeat

Em seu último número tratou de “grief”, sentimento de perda que não necessita se referir apenas a morte, mas inclui outras perdas. Orienta pessoas que enfrentam (ão) a dor de uma perda, que pode se ampliar por muito tempo. Certamente se aplica pessoas que perderam um parente ou amigo para a violência, ou que foram assaltados com violência, ou que ficaram traumatizados Sublinha que os detalhes da vida passam a ser difíceis de superar, inclusive levantar da cama, resolver problemas que, no Brasil, consomem muito tempo e são penosos etc. Alguns parecem, também, irrelevantes e acabamos empurrando muitos com a barriga. Porém, os problemas não desaparecem e ficam lá esperando, às vezes crescendo. Não obstante, esse é um momento de abandonar temporariamente as coisas e preocupações não vitais e um dos problemas é saber discernir o que é importante do que não é. O importante é concentrar seus esforços em si mesmo e superar essa etapa.

Comece com uma boa nutrição. Nada de se encher de calorias. Tome muitos líquidos, sucos, chá verde. Evite as bebidas alcoólicas. Se não tiver apetite, tente comidas mais simples, como sopas, frutas, alguns pratos de massa. Como pouco, mas coma muitas vezes. Não encha a barriga de uma só vez. Vale a pena tomar um complexo multivitamínico de um bom fabricante. Continue tomando seus remédios, não os abandone.

Se a barra estiver pesada, fale com seu médico, preferivelmente um psiquiatra, e veja se é o caso de tomar um ansiolítico ou um anti-depressivo. Esses remédios podem ajudar muitas pessoas, mas não se auto-medique.

Não deixe de dormir. A dor e a perda são muito cansativas. Durma às horas certas e se necessário cochile meia hora depois do almoço. Não se esqueça de exercitar – ajuda tudo, inclusive a dormir (mas não se exercite nas duas horas antes de dormir). Esqueça café e cafeína das 14hs em diante. E nem pensar em beber, sobretudo perto da hora de dormir. Remédios para ajudar a dormir podem ajudar, mas durante um período curto, que pode ser exatamente quando você precisa. Dormir bem faz com que você enfrente melhor os problemas do dia seguinte.

Falar em exercício com quem está de luto ou teve outro tipo de perda pode parecer irreal, mas é exatamente o que temos que fazer. Andar, correr, andar de bicicleta ou malhar podem reduzir a ansiedade, a raiva, a depressão e muito mais. O exercício pode distrair. Se necessário, veja TV enquanto se exercita numa esteira ou numa bicicleta ergométrica.

Busque amigos. Mesmo que não conversem muito, a simples presença de um amigo ou amiga já pode ajudar muito. Dá para juntar as duas coisas, marcand, fazendo e honrando um compromisso de, por exemplo, andar juntos umas quantas vezes por semana. Falando e botando para fora, ou guardando, andar na companhia de uma pessoa amiga ajuda muito.

Muita gente faz coisas perigosas, como beber muito, consumir drogas, entrar no mar forte etc. Causam mais mal do que bem e o mal que podem causar é muito grande.

Técnicas para aliviar o estresse, como yoga, meditação, relaxamento, oração ajudam muito e devemos nos forçar a usá-las. Na maioria dos casos funcionam e ajudam.

Não tome decisões muito importantes: esse é um período ruim para tomá-las. Alguns sugerem esperar seis meses ou um ano até mudar de residência, deixar o trabalho, e até casar.

Pergunte: o que eu gostaria de fazer hoje por mim e para mim, e faça. Se precisa chorar, chore. Se precisa de um retiro, faça. Se está zangado, expresse sua raiva – mas não para cima de qualquer pessoa.

Finalmente, lembre-se de que há pessoas treinadas e competentes que podem ajudá-lo(a) a superar essa fase. Ajuda saber, de antemão, quem é competente e sabe fazê-lo.

A gente sofre, sim, mas o sofrimento diminui ou acaba, e podemos fazer muito para reduzir o sofrimento e a dor.

Profissão: médico e serial killer

•Janeiro 25, 2008 • Deixe um comentário

Publicado no CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 • 21

Um dos maiores serial killers da história era um médico, o inglês Harold Shipman – médico de Manchester. Oficialmente, Shipman matou 215 de seus próprios pacientes. Há suspeitas de que foram muitos mais. A primeira parece ter sido Mrs. Eva Lyons, que foi morta por Shipman logo depois dele começar a prática da medicina em West Yorkshire, no Reino Unido. Talvez a última tenha sido Kathleen Grundy, uma viúva de 81 anos, que era uma pessoa ativa e que gozava de boa saúde antes de ser assassinada em 24 de Junho de 1998. Shipman matou impunemente durante 23 anos!

Inicialmente, Shipman foi condenado em janeiro de 2000 por 15 homicídios e por falsificar um testamento; em janeiro de 2004, quatro anos depois, se suicidou.

A história pessoa e familiar de Shipman não é excepcional. Nasceu em 1946 e perdeu a mãe, Vera, quando ele tinha 17. Vera morreu de câncer. Alguns ligam a morte da mãe à obsessão posterior, mas não é pequeno o número de pessoas que perdem a mãe aos 17 ou antes. Dois anos depois, como estudante de Medicina, Shipman engravidou sua namorada, filha de um fazendeiro, casando com ela. Ele tinha 19 anos. Até aí, nada de verdadeiramente excepcional. Alguns anos mais tarde se formou e começou a exercer a profissão.

Os problemas começaram mais tarde. Shipman começou a se drogar e, como médico, tinha fácil acesso a anestésicos injetáveis. Foi descoberto e renunciou ao emprego, mas não à carreira. Mais tarde recebeu uma pena leve de 600 libras pelo uso ilegal de drogas e por ter falsificado receitas. Sua licença não foi cassada. Muitos especulam sobre o que teria e o que não teria acontecido se a lei Inglesa fosse mais dura com usuários e falsificadores. Alguns argumentam que muitas vítimas estariam vivas; outros dizem que não. É impossível saber. Ele não foi impedido de exercer a profissão, recebendo, apenas, uma carta de advertência. Fez um tratamento psiquiátrico e voltou a praticar medicina. Mais uma vez, pessoas se perguntam se ele tivesse sido impedido de praticar a medicina se as vítimas, quase todas suas pacientes, teriam sido poupadas. É difícil responder. O que sabemos é que ele voltou a exercer a medicina em Durham e que matou um grande número de suas pacientes.

Em 1979, Shipman começou sua prática como clínico geral em in Hyde, Greater Manchester. Continuava casado com Primrose com quem já tinha quatro filhos. Foi somente vários anos mais tarde, em 1985, que a polícia investigou a morte de uma das suas pacientes, mas não houve qualquer medida contra ele. Em 1992, Shipman fundou sua clínica particular. Em 1998, um colega expressou preocupações a um policial a respeito das mortes de pacientes de Shipman e a polícia começa, vagarosamente, uma investigação. Porém, até que fosse preso e impedido de matar mais, outras três pessoas morreriam. É possível que a morte de uma ex-prefeita da cidade, paciente de Shipman, tenha contribuído para acelerar a pesquisa policial. Mas talvez tivesse passado em branco, não fosse a ganância desmedida de Shipman que alterou o testamento da ex-prefeita, de maneira a ser o único herdeiro. A filha dela, uma advogada, pediu que o corpo da mãe fosse exumado em 1º de agosto de 1998. Os resultados são claros e Shipman foi acusado de assassinato e de falsificação de documentos (teria $ 350 mil libras a receber). Finalmente, foi preso. Há quem ache que se a vítima não fosse uma ex-prefeita e sua filha uma advogada que Shipman talvez estivesse ainda vivo e matando.

A descoberta de veneno em um corpo gerou uma busca ampliada. Em três dias consecutivos, três corpos foram exumados, inclusive de Bianka Pomfret, de apenas 49 anos, que morrera em Dezembro de 1997. A partir daí, vários corpos das vitimas de Shipman, quase todas ex-pacientes, foram exumados e revelaram sinais de envenenamento. A mulher de Shipman, Primrose, prestou depoimento, mas disse não saber de nada. Os relatórios das primeiras investigações sobre Shipman foram publicados, ficando clara a incompetência e a falta de seriedade de dois policiais que não levantaram suspeitas mesmo diante de evidências claras.

A descoberta de que o maior serial killer da historia da Grã-Bretanha era um médico com um histórico complicado provocou uma onda de críticas ao General Medical Council, cuja missão era defender os pacientes, mas cujo corporativismo o levava a proteger os médicos, inclusive os criminosos – e não os pacientes.

Shipman tinha um claro modus operandi. Muitas de suas vítimas eram mulheres idosas, escolhidas porque viviam sozinhas, o que favorecia que ele aplicasse injeções letais de diamorfina, sua maneira predileta de matá-las. Esse modus operandi parece ter contribuído para que matasse por muito tempo.

É clara a contribuição das autoridades policiais e das organizações médicas para a tragédia, gerando uma chuva de protestos e de processos. O Criminal Injuries Compensation Board já pagou mais de £731,000 em indenizações, mas mais processos continuam a surgir.

Os legisladores ingleses reagiram ao absurdo e os médicos agora devem passar por uma verificação criminal, ter ficha “limpa”, o que mostraria que Shipman prescrevia quantidades indevidas de petidina, obrigando os médicos a declararem doações de seus pacientes e a declarar todas as mortes em suas clínicas.

As mulheres serial-killers levam, na média, muito mais tempo até serem descobertas do que os homens. Em parte isso se deve ao seu método preferido, o envenenamento. Mas Shipman superou, de longe, a média do tempo de impunidade das mulheres serial-killers e, para isso, teve ajuda. Como em muitos casos, a impunidade, nossa velha conhecida, pessoas e instituições colaboraram – no caso as associações médicas, devido ao seu corporativismo, e a polícia, devido à sua incompetência e desleixo.

Analisar os serial-killers somente a partir da personalidade do assassino é um erro. Houve muitas falhas institucionais que contribuíram para um número de mortes estimadas hoje em mais de trezentas.

Recursos para tratamentos naturais

•Janeiro 25, 2008 • Deixe um comentário
A boa notícia vem da Escócia. Um grupo de pesquisadores recebeu dois milhões e meio de libras para pesquisar novas drogas que seriam usadas no luta contra o câncer de próstata. Até aí, meritório, mas comum. O que não é comum é que esse grupo identificou ingredientes em plantas que bloqueiam os caminhos celulares relacionados com inflamações que estão relacionadas com o câncer de próstata. Cancer Research UK fez essa doação para que desenvolvam moléculas e criem um tipo novo de droga anti-câncer que dificulte ou impeça o crescimento do câncer. A escolha de Strathclyde não é acidental. A universidade tem uma tradição de pesquisa que partem de fontes “naturais” para chegar a remédios – em diferentes áreas.
Essa orientação se deve a que os pacientes “que tem alta expressão dos enzimas deste caminho inflamatório” tem um tempo menor até a volta do câncer e também até a morte.

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ADT NEM SEMPRE

•Janeiro 24, 2008 • Deixe um comentário
Uma terapia para pacientes de câncer de próstata pode piorar outras doenças. Reduzir ou suprimir nossa produção de hormônios é tratamento padrão para o câncer de próstata, particularmente para o câncer avançado, depois que uma das terapias primárias falhou. Mas, o que esse tratamento faz com outras doenças? Segundo o pesquisador Anthony V. D’Amico, pode piorar muito algumas delas, como as doenças cardíacas. É o que afirma em artigo que acaba de ser publicado em JAMA.
A supressão da produção de hormônios dobra a probabilidade de morrer em oito anos de pacientes que tem outras doenças graves. Homens sem outras doenças graves que combinassem o tratamento por radiação com o tratamento hormonal reduziam muito o risco de morrer de câncer de próstata em oito anos. Sua chance de sobreviver oito anos era quatro vezes maior do que os que se trataram apenas com radiação.
A mesma terapia que salva pacientes de câncer de próstata, aumenta o risco de morte de pacientes com sérios problemas cardio-vasculares. Pacientes que tiveram um ataque do coração nos seis meses anteriores ao tratamento aumentavam muito sua chance de morrer.
Mais uma demonstração de que o tratamento deve ser adequado a cada paciente e não à doença, em geral. Há muitos tratamentos e a escolha de um ou mais deles deve ser feita com muito cuidado, levando em conta os outros problemas de saúde do paciente.

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Crime e Câncer

•Janeiro 22, 2008 • Deixe um comentário

Foi publicado com um título diferente n’O Globo de 20/01/2008

Crime e câncer

Crime e câncer na mesma frase? Não, não é erro. Pode haver uma conexão que passa por fatores intermediários, como o medo, a depressão e o estresse. Esse vínculo, se demonstrado no Brasil mostraria que os níveis altíssimos de crime e violência têm conseqüências que vão muito além das vítimas visíveis. Talvez valha a pena repetir uns dados: há dois anos publicamos um livro, As Vítimas Ocultas, que abre com a seguinte frase – “Entre 1979 e 2001, mais de 600 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. O número é cataclísmico.” De lá para cá, aproximadamente mais 40 a 50 mil por ano. Incluindo acidentes e suicídios, perto de dois milhões de mortos desde 1979. Esses dados se referem aos mortos apenas – a violência não letal é muitíssimo maior. Não temos como avaliar o monto de ações violentas não-fatais, como estupros, assaltos, agressões, violência doméstica etc. As situações de violência provocam reações: umas, no momento, fáceis de notar; outras, mais demoradas e insidiosas, mas não menos prejudiciais. No Brasil, algumas conseqüências foram aferidas pela Pesquisa Social Brasileira: 39% procuraram evitar conversar sobre violência com amigos e parentes; 53% procuraram evitar ver programas de televisão que falassem sobre violência; 60% procuraram evitar qualquer coisa que lembrasse situações de violência; 63% procuraram evitar pensar em violência etc.

Outra pesquisa, feita na área metropolitana de São Paulo, sublinhou série semelhante de conseqüências muito negativas: em cada três paulistanos, dois evitam, conscientemente, pensar em violência; psicologicamente, pode ter aspectos saudáveis; politicamente é estratégia de avestruz. Porém há dados mais graves: três em quatro paulistanos sentem medo quando pensam na violência de modo geral. É um quadro que encolhe a vida e reduz a felicidade das pessoas. Um em cada quatro paulistanos teve dificuldade em se concentrar porque ficou pensando na violência – no último ano. O sono também foi afetado: no último mês, 48% tiveram dificuldade de dormir porque ficaram pensando na violência e 51% sonharam com situações de violência. O nível de estresse é altíssimo. Observem que 64% (dois terços) se sentiram mal quando pensaram na violência.

E o que tem isso a ver com a saúde física em geral e o câncer em particular?

A vinculação entre estresse, depressão, falta de sono, de um lado, e problemas de saúde, inclusive o câncer, do outro, é apoiada por muitas pesquisas, embora haja controvérsias a respeito. Uma das pesquisas mais recentes, publicada nos Archives of General Psychiatry, demonstra que, num casal comum e corrente, o estresse de uma rusga de meia hora de duração basta para atrasar a capacidade dos seus corpos em fechar feridas em pelo menos um dia. Se a relação for normalmente conflitiva, o efeito de cada nova rusga poderá ser dobrado. Esses estudos são feitos no Ohio State University ’s Institute for Behavioral Medicine Research que concentra esforços em ver como o estresse psicológico afeta o sistema imune.

Podemos começar a analisar a relação entre crime, estresse e câncer em ocupações altamente estressantes, particularmente as que trabalham diretamente com o crime e a violência, como policiais e agentes penitenciários.

Uma pesquisa feita por com dados suecos sugere que situações estressantes, como as vinculadas ao trabalho, nos dez anos anteriores à pesquisa aumentavam o risco de câncer de colo-retal. O risco relativo aos que não tiveram situações estressantes no trabalho (controlando a idade e o gênero) era de 5,5. Ou seja: estresse no trabalho aumentava em 450% o risco de câncer, bem mais do que a morte do cônjuge, que aumentava em 50%. Mudar de residência também aumentava o risco relativo (2,8). Kune e associados usaram dados do Melbourne Colorectal Cancer Study: entrevistaram 715 pacientes e 727 controles. Concluíram que doenças graves ou a morte de alguém na família, problemas familiares sérios (conflitos, infidelidades, separações e divórcios) e pesados problemas no trabalho durante os cinco anos precedentes aumentavam o risco de câncer colo-retal. Além disso, entre os que enfrentaram esses problemas objetivos, os que ficaram mais perturbados com eles tinham um risco mais elevado de câncer. O problema, em si, já contava; a reação ao problema, adicionava. Aliás, em outra análise dos mesmos dados, os autores descobriram que a religiosidade protege contra o câncer (Risco Relativo 30% menor, P = 0,002). Entre os que tiveram câncer, a sobrevivência dos religiosos foi de 62 meses contra 52 dos demais.

A ponderável, mas não totalmente consistente, massa de resultados ligando estresse ocupacional a problemas de saúde, física e psicológica, inclusive ao câncer, levou um tribunal do trabalho da Austrália, o South Australian Workers Compensation Tribunal, a concluir que o estresse ocupacional contribuiu para o câncer colo-retal de um agente penitenciário, qualificando-o para receber uma indenização. Isso, na Austrália: imaginem no Brasil, onde a violência dentro das prisões possivelmente contribui para deteriorar o estado físico e mental de agentes penitenciários e de prisioneiros.

Não obstante, a população também sofre com o crime e a violência, via estresse, medo, depressão, insônia e outros males que reduzem e muito nossa resistência. Essa é uma área relativamente jovem, mas seus resultados já sugerem que o dano invisível causado pelo crime e pela violência é simplesmente gigantesco.

GLÁUCIO ARY DILLON SOARES