MOLÉCULA “DE DUAS CABEÇAS” CONTRA O CÂNCER DA PRÓSTATA

•outubro 5, 2011 • Deixe um comentário

Uma esperança vem da biologia molecular: há uma pequena molécula de duas cabeças (ou entradas), que podem arregimentar o sistema imune do paciente e lançá-lo contra células cancerosas da próstata!  Se tivermos sorte, com muito trabalho, esta linha poderá tratar, também, outros cânceres, com efeitos colaterais comparativamente pequenos.

Qual é a história?

As células cancerosas da próstata produzem altos níveis de umas proteínas que ficam na sua superfície. Elas não existem nessa quantidade em outros lugares do corpo humano. Uma delas é conhecida como PSMA (prostate-specific membrane antigen ). Se pudermos treinar o nosso sistema imune a identificar esse antígeno como inimigo, nossas defesas vão atacá-lo e vão destruir ou danificar seriamente as células onde ele repousa. Os pesquisadores, que não são bobos, já apontaram suas armas para esses antígenos, ligando anticorpos que são específicos contra o PSMA. Além disso, quimioterapia neles – na forma de radionuclides. As drogas, porém, ainda afetam células sadias. A devastação é geral: morrem células cancerosas e células sadias. Essa destruição de células saídas provoca os conhecidos efeitos colaterais da químio, sem falar no preço; os tratamentos com químio e radionuclides são caros. É aí que surge o PSMA!

Essa pequena molécula, do lado esquerdo, tem algo chamado DUPA, que tem a habilidade de grudar no antígeno da célula da próstata, e outro algo chamado DNP, do lado direito, que é um conjunto químico reconhecido pelos nossos anticorpos. O DNP é um conhecido contaminante ambiental e a maioria de nós, humanos, tem anticorpos que partem para cima dele. Se o DUPA grudar principalmente nas células cancerosas da próstata, do lado do DNP haveria uma espécie de imã, atraindo os anticorpos que atacariam o DNP e destruiriam as células.

Vai funcionar? Ninguém sabe. Não obstante, os pesquisadores já começaram os testes: injetaram tecidos cancerosos em camundongos desprovidos de sistema imune. Aí injetaram linfócitos humanos para tornar a reação imune mais parecida com a humana. Finalmente, injetaram a molécula de duas cabeças. Depois de três tratamentos semanais durante duas semanas, os tumores tinham sofrido uma redução gigantesca, e estavam 80% menores (na média) que o dos camundongos tratados somente com DUPA. Quando fizeram o exame histológico dos tumores, verificaram que os linfócitos tinham entrado nos tumores. Aliás, os linfócitos também são chamados vulgarmente de células naturalmente assassinas….

É mais um caminho nessa estrada do tratamento e cura que se amplia diariamente no campo da imunologia.

 

Gláucio Soares

IESP-UERJ

Bisfosfanatos contra a dor na metástase óssea

•outubro 5, 2011 • Deixe um comentário

Uma das conseqüências comuns e nefastas a muitas metástases do câncer da próstata é a localização: os ossos. A metástase óssea, usualmente, é muito dolorosa, e representa uma parte grande da queda na qualidade da vida dos cancerosos. Os bisfosfonatos são usados corriqueiramente nos casos de osteoporose, mas um de seus vários tipos pode ser aplicado, também, ao câncer da próstata. Uma nova aplicação para um remédio antigo. O conteúdo da apresentação de um grupo de pesquisadores britânicos ao 2011 European Multidisciplinary Cancer Congress (em Estocolmo) tratou exatamente dessa nova utilidade. O grupo é liderado por Peter Hoskin do University College, Londres.

Qual a mensagem? É que uma única injeção de ibandronato, um dos bisfosfonatos, cujo nome comercial é Boniva, reduz a dor causada pela metástase óssea do câncer da próstata. Essa redução de uma só aplicação relativamente sem complicações concede benefícios equivalentes a uma dose individual de radiação.

Como a dor causada pela metástase óssea é, talvez, a conseqüência que mais reduz a qualidade da vida, podemos contar com a replicação desses estudos e com a maior disponibilidade do Boniva e de outros produtos melhorados em pouco tempo. A demanda é grande, porque um dos motores da indústria farmacêutica é a dor, que aumenta a demanda e os lucros.

 

Gláucio Soares

IESP-UERJ

A Migração dos Homicídios

•fevereiro 7, 2011 • Deixe um comentário
Violência cresce nos estados do Nordeste
06/02 às 23h21 O GLOBO
Marcelo Remígio
RIO e RECIFE – Noite de 8 de janeiro, Alexandre Diniz do Nascimento, de 31 anos, é morto com cinco tiros no município de Bayeux, região metropolitana de João Pessoa. Ele é mais um na estatística de assassinatos da Paraíba que, assim como o restante do Nordeste, amarga a explosão da violência. A única exceção, no momento, é Pernambuco. Um levantamento feito por pesquisador da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) aponta que, nos últimos dez anos, os estados nordestinos enfrentam um crescimento linear do
número de assassinatos, diferentemente do Sudeste, que reduziu os homicídios. (Leia também: Tráfico, desavenças e brigas de território explicam aumento de homicídios no Nordeste )
Somente a Bahia registrou um aumento de 50,72% entre 2006 e 2010, passando de 3.222 mortes anuais para 4.856. A polícia baiana tem ainda uma corporação cujo índice de eficiência está entre os mais baixos do país : a média é de apenas 4,6% dos homicídios solucionados, entre fevereiro e junho de 2010.
Com 96 mil habitantes e distante seis quilômetros da capital, Bayeux é um dos municípios paraibanos mais
violentos, com uma taxa anual de 83 homicídios por cem mil habitantes. O limite aceitável pela Organização Mundial Saúde (OMS) é de dez mortes por cem mil habitantes. A cidade espelha a dura realidade de crimes que
assustam a população. Entre 2001 e 2009, os homicídios cresceram 158% na Paraíba. O levantamento feito na UFCG tem como base os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Em Alagoas, o cruzamento de dados de mortes violentas registradas pelo Instituto Médico Legal, polícias Civil e Militar e Secretaria estadual de Defesa Social mostram que, em 2009, o estado somou 1.998 homicídios. Já no ano passado, o total chegou a 2.218, um acréscimo de 11%. A estatística não inclui casos de latrocínio – roubo seguido de morte. 
- Os estados enfrentam hoje a migração do crime. Assim como empresários se instalaram na região para implantar atividades lícitas, criminosos de outras regiões como o Sudeste também encontraram nos estados um amplo mercado para o que é ilícito, como o tráfico de drogas – explica o professor da UFCG José Maria Nóbrega, que desenvolve desde 2007 pesquisa sobre a violência no Nordeste.
Segundo Nóbrega, estatísticas baseadas no SIM mostram que entre 1996 e 2008 a taxa de homicídios no Piauí subiu 203%. No ano passado, o estado registrou 204 homicídios, 10% a mais do que em 2009, segundo a Delegacia Geral da Polícia Civil. Em Teresina, a capital, foram 160 casos. No Ceará, chegou a 122% no mesmo
período e, no Rio Grande do Norte, 178%. Em Sergipe, o índice foi de 134%. No Maranhão, 242%. Pernambuco enquadra-se em outra realidade: em 2010 houve redução de 14% nos homicídios em relação a 2009. No entanto, segundo Nóbrega, em Pernambuco 94,6% dos homicídios não são investigados.
O pesquisador destaca que não há uma uniformidade nos critérios estatísticos dos estados para a violência e a falta de informação prejudica a formulação de políticas públicas de segurança. Os percentuais, afirma Nóbrega, podem ser maiores.
Na contramão do Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo comemoram a redução de homicídios. Levantamento
divulgado pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) da Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo mostra que, em 2010, a taxa de homicídio doloso – com intenção de matar – no estado chegou a 10,47 para cada cem mil habitantes ano. Em 1999, a taxa era de 35,27 mortes por cem mil habitantes – o total caiu de 12.818 ocorrências para 4.320, uma redução de 70,3% no período. A taxa é menor do que a metade do índice brasileiro de homicídios, de 24,5 para cada cem mil habitantes ano.
Já no Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgou que o estado encerrou 2010 com uma redução de 17,7% no total de homicídios em relação ao ano anterior. Em 2009 foram 5.794 assassinatos, 1.025 a mais que no ano passado. De acordo com o sociólogo Glaucio Soares, do Instituto de 
Estudos Sociais e Políticos d Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Iuperj), tanto o Rio quanto São Paulo têm trabalhado políticas de segurança pública a longo prazo:
- É o padrão mais comum e requer que políticas inteligentes sejam de estado e não deste ou daquele governo. Em São Paulo colhemos os frutos plantados a partir de 1999. No Rio de Janeiro, houve diversas melhorias, particularmente nos últimos quatro anos. Nos dois casos houve transferência do poder decisório na área de Segurança Pública e vontade política – analisa Soares, que identifica um quadro diferente no Nordeste:
- A cultura cívica está menos desenvolvida, há menos vontade política e padrões tradicionais no governar. Falta treinamento policial, conhecimento e, sobretudo, uma elite política mais consciente da importância da segurança pública. Soares não aponta a causa mais provável para a explosão da violência no Nordeste. No entanto, chama a atenção para o tráfico de drogas: 
- A causa mais comum no Brasil das últimas décadas tem sido a letalíssima combinação de drogas com armas de fogo.
Em Teresina, a dona de casa Francisca Maria Almeida da Silva, de 44 anos, sentiu todas as dores do mundo ao testemunhar a morte de seus três filhos, o estudante Felipe Eduardo da Silva Pereira, de 19 anos, o ajudante de pedreiro Marcelo da Silva Pereira, de 26 anos, e de Givago Lobão da Silva Pereira, o Pachola, de 22 anos, em um intervalo de três anos. Na tarde de quinta-feira passada, Francisca Maria participou da missa de um mês da
morte de seu filho, Givago, assassinado com oito tiros em Teresina.
- Nós estávamos tomando sorvete. Baixei a cabeça para pegar uma sacola de compras eu vi os pés de um homem, não o rosto. Eu disse: ‘Givago, meu filho, tem um homem com uma arma’. Ele soltou os chinelos e saiu correndo. Eu gritei, pedi ajuda para meu filho, mas ninguém teve coragem. Com o primeiro tiro, meu filho
caiu emborcado. 
Ao analisar a queda no total de homicídios em Pernambuco, Soares diz que houve vontade política de combater o crime, mais conhecimento na área de segurança pública e mais recursos. No entanto, ele afirma que ainda há muito por fazer no estado. 
Na última quinta-feira, O GLOBO encaminhou perguntas ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre
a violência no país. O jornal quis saber qual seria a explicação do governo federal para a diminuição dos homicídios no Rio de Janeiro e em São Paulo no mesmo período em que a violência aumenta de forma assustadora no Nordeste, inclusive em capitais com alto fluxo de turistas. Foi perguntado também se o ministério estaria preparando medidas especiais para ajudar os governos de alguns estados a coibir a criminalidade. Na sexta-feira, a assessoria de imprensa disse que o ministro não iria tecer comentários sobre o assunto.

Nova maneira de olhar o câncer da próstata

•novembro 5, 2010 • Deixe um comentário

Pesquisadores de Cornell fizeram uma importantíssima descoberta conceitual. O câncer da próstata não é uma doença, mas várias. E, como são vários fatores, podem ser pesquisados, medidos e, eventualmente,
virarão alvos que poderão ser destruídos. O renomado patologista Dr.Mark A. Rubin identificou mutações
secundárias, que fazem com que alguns tipos de células cancerosas sejam letais – sem essas mutações o câncer é lento e não é letal. Essa conceitualização amplia o caminho para terapias individualizadas,
feitas sob medida para cada paciente ou tipo de paciente.

O que acontece? O Dr. Arul M. Chinnaiyan tinha colocado a primeira peça do quebra-cabeças, ao demonstrar que havia “fusão de genes”, dando origem a genes híbridos, que são fundamentais no câncer da próstata.
Lembro que, nos Estados Unidos, onde há bons dados e excelente tratamento, esse câncer mata um de cada 36 homens. Uma das consequências imediatas é a melhoria dos testes, que separariam
casos perigosos de não perigosos. Atualmente, há muitos erros, tanto falsos positivos quanto falsos negativos. Somente um de cada quatro homens com PSA’s positivos realmente tem câncer. Enfim, é
uma reconceitualização com implicações profundas para o diagnóstico e para o tratamento.

Escrito por Gláucio Soares, com base em resumos.

Braquiterapia funciona bem

•novembro 4, 2010 • Deixe um comentário
 
Uma pesquisa comparou o resultado da braquiterapia com radiação em pacientes com Gleason alto e PSA moderado, usando três critérios: a volta bioquímica, a sobrevivência específica em relação a este câncer e sobrevivência total, computando tudo. Quem eram os pacientes? Tinham cânceres desigualmente avançados – Gleason alto (8 ou mais) e PSA moderado (menor que 16). Quais os efeitos do tratamento?
Aos dez anos, a terapia hormonal não fez diferença na sobrevivência específica (o grupo “com” até teve sobrevivência mais alta); melhor um pouco. 
A conclusão é simples: a braquiterapia funciona bem, particularmente em associacão com a radioterapia.

A insonia feminina é um problema sério

•fevereiro 5, 2010 • Deixe um comentário

Muitas pessoas, inclusive as mulheres, concedem baixa prioridade ao sono. Muita coisa é definida como mais importante – o trabalho, os filhos, a limpeza da casa etc. O sono e o descanso adequados têm baixa prioridade.

Além dessas escolhas, há causas organicas: os ciclos menstruais afetam o sono e agravam a insonia. Nada menos de 70% das mulheres reclamam de insonia durante a menstruação. Parte disso deriva da alta percentagem de mulheres que se sentem “inchadas”.

Perto da menopausa surgem novos problemas. E poucas sabem o que fazer quando eles aparecem. Há muito achismo, muito chute.

Quem dorme menos? Mulheres solteiras que trabalham. E, segundo pesquisa recente, isso deixa as mulheres cansadas – pelo menos uma a duas vezes por semana.

Por que dormimos pouco?

O tempo é competitivo. O tempo que se coloca numa atvidade se tira de outra. Muitas mulheres sacrificam horas de necessário sono com conversas intermináveis e circulares com amigos e parentes. Todos necessitamos de falar e ter amizades, mas não nos devemos nos sobrecarregar tanto com essas atividades que tenhamos que sacrificar o sono.

Dormir bem dá certo.As pessoas têm uma agradável sensação de descanso e de energia.

Donas de casa estão em situação ligeiramente melhor, mas longe de estarem bem. Três em quatro apresentam sintomas de insonia. Os filhos e os afazeres da casa contribuem para isso. Muitas mães dão tanta prioridade aos filhos que se esquecem da própria saúde. Todos acabam pagando por isso.
Há coisas que devemos fazer para dormir bem – inclusive descansar, exercitar e transar. As pessoas devem reservar tempo para tudo isso, tempo para elas mesmas.
Uma das grandes causas da pobreza do sono é o ronco – o seu ronco ou o do seu companheiro(a)/ Ronco é doença, apnéia, e pode ser tratado e curado, mas requer disposição e decisão. Chute e conselho de amigas usualmente  não dão certo.
Um especialista, James Maas, nos ensina que há 88 tipos de insonia, cada um com seus remédios e tratamentos. O que funciona com um tipo pode não funcionar com outro. Especialistas (e não clínicos gerais) têm muito a oferecer, mas são poucos em nossos países.
Tem problemas nessa área? Consulte um. Vale a pena!
Enão se esqueça de algumas causas comuns, começando pelo estresse. O lugar para pensar a respeito dos problemas e lidar com o estresse NÃO é a cama.
Café e bebidas alcoólicas devem parar algumas horas antes de dormir.
A luz faz diferença: escuro, por favor. Escuridão mesmo. Apague essa luz.
Caminha quente? Nada disso. Temperatura normal, até com um pouquinho de frio.
Cama grande e confortável, nada de cama estreita.
O travesseiro é indispensável. Pesquise e encontre um que vai bem com você., Trabalho, laptop, computador? Longe do quarto, por favor.
Não se esqueça que a música tranquila e sons agradáveis ajudam. Esqueça os bate-estacas/.
E durma melhor hoje à noite!

A insonia feminina é um problema sério

•fevereiro 5, 2010 • Deixe um comentário

Muitas pessoas, inclusive as mulheres, concedem baixa prioridade ao sono. Muita coisa é definida como mais importante – o trabalho, os filhos, a limpeza da casa etc. O sono e o descanso adequados têm baixa prioridade.

Além dessas escolhas, há causas organicas: os ciclos menstruais afetam o sono e agravam a insonia. Nada menos de 70% das mulheres reclamam de insonia durante a menstruação. Parte disso deriva da alta percentagem de mulheres que se sentem “inchadas”. 

Perto da menopausa surgem novos problemas. E poucas sabem o que fazer quando eles aparecem. Há muito achismo, muito chute.

Quem dorme menos? Mulheres solteiras que trabalham. E, segundo pesquisa recente, isso deixa as mulheres cansadas – pelo menos uma a duas vezes por semana.

Por que dormimos pouco?

O tempo é competitivo. O tempo que se coloca numa atvidade se tira de outra. Muitas mulheres sacrificam horas de necessário sono com conversas intermináveis e circulares com amigos e parentes. Todos necessitamos de falar e ter amizades, mas não nos devemos nos sobrecarregar tanto com essas atividades que tenhamos que sacrificar o sono.

Dormir bem dá certo.As pessoas têm uma agradável sensação de descanso e de energia.

Donas de casa estão em situação ligeiramente melhor, mas longe de estarem bem. Três em quatro apresentam sintomas de insonia. Os filhos e os afazeres da casa contribuem para isso. Muitas mães dão tanta prioridade aos filhos que se esquecem da própria saúde. Todos acabam pagando por isso.
Há coisas que devemos fazer para dormir bem – inclusive descansar, exercitar e transar. As pessoas devem reservar tempo para tudo isso, tempo para elas mesmas.
Uma das grandes causas da pobreza do sono é o ronco – o seu ronco ou o do seu companheiro(a)/ Ronco é doença, apnéia, e pode ser tratado e curado, mas requer disposição e decisão. Chute e conselho de amigas usualmente  não dão certo.
Um especialista, James Maas, nos ensina que há 88 tipos de insonia, cada um com seus remédios e tratamentos. O que funciona com um tipo pode não funcionar com outro. Especialistas (e não clínicos gerais) têm muito a oferecer, mas são poucos em nossos países.
Tem problemas nessa área? Consulte um. Vale a pena!
Enão se esqueça de algumas causas comuns, começando pelo estresse. O lugar para pensar a respeito dos problemas e lidar com o estresse NÃO é a cama.
Café e bebidas alcoólicas devem parar algumas horas antes de dormir.
A luz faz diferença: escuro, por favor. Escuridão mesmo. Apague essa luz.
Caminha quente? Nada disso. Temperatura normal, até com um pouquinho de frio.
Cama grande e confortável, nada de cama estreita.
O travesseiro é indispensável. Pesquise e encontre um que vai bem com você., Trabalho, laptop, computador? Longe do quarto, por favor.
Não se esqueça que a música tranquila e sons agradáveis ajudam. Esqueça os bate-estacas/.
E durma melhor hoje à noite!

HOMICÍDIOS EM QUEDA EM PERNAMBUCO

•dezembro 11, 2009 • Deixe um comentário


Republico esse trabalho porque traz notícias alvissareiras sobre um estado que passou muitos anos sem conseguir reduzir suas taxas de homicídio de maneira consistente

 

Gláucio Ary Dillon Soares


Tiros certeiros na violência

Publicado em 06.12.2009

Estado atingiu marca inédita: 12 meses seguidos de redução na taxa de assassinatos. Instituição de metas e cobranças para policiais integram a fórmula

Autor: Eduardo Machado

eduardomaxado@gmail.com

 

 

O delegado Moari Pimenta e os majores José Teles e José Barros são os funcionários do mês de outubro da Secretaria de Defesa Social (SDS). Responsáveis pela área integrada de segurança 25 (AIS-25), que compreende os municípios de Cabrobó e Santa Maria da Boa Vista, no Sertão, o delegado seccional e os dois oficiais, comandantes das companhias da PM da região, conseguiram reduzir o número de homicídios na área em 80%, em comparação com outubro do ano passado. Ganharam destaque no site da SDS encabeçando a lista dos gestores mais eficientes no enfrentamento da violência. A queda no número de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de mortes) não se limitou ao Sertão. Espalhou-se por todo o Estado e atingiu no mês passado uma marca inédita: doze meses seguidos de diminuição, chegando a 12,3% de recuo com relação ao período anterior.

Medir o trabalho dos policiais e destacar os eficientes é apenas uma das estratégias de gestão implantadas pelo Governo do Estado na Secretaria de Defesa Social que estão sendo eficientes na diminuição da criminalidade. Vários personagens de fora das corporações policiais precisaram entrar em cena para que essa mudança se concretizasse. O primeiro é o próprio governador Eduardo Campos, que assumiu pessoalmente a coordenação do processo. O secretário de Planejamento, Geraldo Júlio, atuou como gestor do Pacto pela Vida porque tem autoridade para cobrar ações não só da SDS, mas de todas as outras pastas envolvidas na melhoria da segurança pública. Já o professor José Luiz Ratton, assessor especial do governador, teve importância fundamental na definição das bases para uma nova política de enfrentamento da criminalidade.

Até mesmo uma empresa de consultoria (Instituto de Desenvolvimento Gerencial) trabalhou no estudo, diagnóstico e planejamento para desatar os nós da administração no que se refere à Segurança Pública. A sacudida gerencial permitiu que o delegado sertanejo e seus colegas oficiais pudessem ser avaliados, medidos e destacados como forma de incentivo.

 

REVIRAVOLTA

 

Na década de 90, a cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, experimentou uma reviravolta no combate à violência com armas semelhantes. A face mais conhecida do programa, implementado pelo então prefeito Rudolph Giuliani, era a chamada Tolerância Zero contra o crime. No entanto, o mérito real estava no Compstat ou estatística computadorizadas. Um sistema muito parecido com o em uso em Pernambuco de acompanhamento e avaliação do desempenho policial por meio de índices criminais.

Apesar dos bons resultados no último ano, ainda há um longo caminho para que a população pernambucana possa sentir uma melhoria na segurança pública. O Estado de São Paulo completa este ano uma década de números de homicídios em queda. Mesmo assim, o medo da criminalidade ainda é uma realidade para a sociedade paulista.

“Estamos há quase uma década com reduções expressivas nos homicídios. No entanto, a sensação de melhoria na segurança ainda permanece mais restrita às áreas de periferia. Nas regiões de classe média, onde o maior problema sempre foram os crimes contra o patrimônio, o avanço tem maior dificuldade em ser percebido pelas pessoas”,

avaliou o pesquisador e chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Túlio Kahn.

 

Baixam as taxas de homicídio em Pernambuco

•dezembro 1, 2009 • Deixe um comentário

Recebi, de José Maria Nóbrega, artigo que mostra melhoria nas taxas de homicídio em Pernambuco – uma redução de, aproximadamente, dez por cento. A análise mais detalhada, feita por Nóbrega, mostra um movimento contrário: baixa nas cidades grandes e médias, alta nas cidades pequenas e zonas rurais. O saldo é bom para Pernambuco, revelando efeitos positivos das políticas públicas adotadas. É possível que esses resultados revelem uma “sobre”concentração dos recursos onde salvam mais vidas, nas grandes cidades, com população muito maior e taxas de homicídio também maiores.
O artigo foi publicado no Jornal do Commércio.

Número de mortes violentas cai 10% em nove meses
 

Publicado em 01.12.2009 (Jornal do Commercio, Recife)

Até setembro deste ano foram 3.031 homicídios contra 3.398 em 2008. A violência cresce apenas nas cidades que têm menos de 20 mil habitantes
A Agência Condepe/Fidem divulgou ontem, os números consolidados da violência em Pernambuco de janeiro a setembro de 2009. No comparativo com o mesmo período do ano passado, o total de crimes violentos letais intencionais (soma dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) recuou 10,8%, passando de 3.398 no ano passado para 3.031 este ano.
A análise das estatísticas por municípios mostrou que apenas nas cidades com menos de 20 mil habitantes, a violência continua crescendo. “Há duas explicações para isso. A primeira é que em cidades pequenas bastam poucos casos para que a taxa de homicídios cresça muito. Por outro lado, os municípios menores têm menos concentração populacional em áreas urbanas, o que torna mais difícil a inibição da criminalidade pela polícia”, avaliou o gerente de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Defesa Social, Gerard Sauret.
Dos dez municípios pernambucanos com mais de 100 mil habitantes, apenas Olinda anotou crescimento no número de homicídios, passando de 193 de janeiro a setembro de 2008, para 198, este ano. A maior queda ocorreu em Garanhuns, no Agreste, com 27 assassinatos de janeiro a setembro de 2009, contra 50, no ano passado.
Com uma média estadual de redução de 11,7% na taxa de homicídios em nove meses, Pernambuco está bem perto de bater a meta de 12% estipulada pelo governo no Pacto pela Vida.
Os dados preliminares de outubro também foram divulgados e a redução na taxa de homicídios ficou em 16,8%. Bem acima do patamar fixado.
Os bons resultados têm animado a cúpula da Segurança Pública de Pernambuco. Em um evento há dez dias, o aumento da meta de redução de homicídios chegou a ser especulado. Com o Estado prestes a completar 12 meses seguidos de queda na violência, o governador Eduardo Campos assegurou que o recuo na taxa de assassinatos será superior aos 12% estabelecidos no Pacto pela Vida.
NOVA META
Já o chefe de Polícia Civil, Manoel Carneiro, cravou, em seu discurso, que a meta deve ser redimensionada, dada a melhoria crescente no desempenho das polícias. “Nossa expectativa é uma redução superior a 12% na taxa de homicídios. Sobre uma nova cifra para a meta, ainda não definimos isso”, afirmou o governador.
O chefe de Polícia Civil se mostrou mais enfático. “Em 2006, a produtividade da Polícia Civil foi de 15.900 inquéritos. Devemos encerrar este ano com mais de 31 mil procedimentos encaminhados à Justiça. Isso nos dá a convicção de que a meta deve ser reavaliada”, pontuou Manoel Carneiro.
A diminuição dos casos de violência deve prosseguir no balanço do mês de novembro. A expectativa é que o Estado tenha menos de 300 assassinatos no período.
Números Absolutos de Homicídios (C.V.L.I.):
Janeiro/Setembro de 2008: 3.398
Janeiro/Setembro de 2009: 3.301
Variação percentual nos N.A.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -10,8%
Taxas de Homicídios:
Janeiro/Setembro de 2008: 39,54
Janeiro/Setembro de 2009: 34,90
Variação percentual nas T.H.:
Janeiro/Setembro de 2008 vs Janeiro/Setembro de 2009: -11,7%
Outros números absolutos:
Municípios com população até 20 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 296 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 325 homicídios
Variação percentual: +9,8%
Municípios com população de 20 a 50 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 564 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 561 homicídios
Variação percentual: -0,53%
Municípios com população de 50 a 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 541 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 484 homicídios
Variação percentual: -10,5%
Municípios com população superios aos 100 mil habitantes:
Janeiro/Setembro de 2008: 1.997 homicídios
Janeiro/Setembro de 2009: 1.660 homicídios
Variação percentual: -16,8%
Fontes dos dados: Agência Condepe/Fidem (SDS-PE)

Disponível em: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/12/01/not_357129.php

 

Variações no Crime em São Paulo

•julho 31, 2009 • Deixe um comentário

Há duas semanas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo tornou públicos os dados sobre a criminalidade no último trimestre. É um ato corriqueiro em paises com transparência e tem sido um
comportamento contínuo no Estado de São Paulo há muitos anos. Mas, para vergonha nossa, ainda há estados no país que não divulgam os dados, há os que os maquilam e adulteram, ou os publicam com muito atraso.

Os dados divulgados talvez não causassem reação não fosse São Paulo o único estado brasileiro a exibir bons resultados há muito tempo: os homicídios vêm baixando há 29 trimestres e São Paulo é, hoje, uma referência internacional no controle da violência, juntamente com Nova Iorque, Bogotá, Medellín e alguns outros lugares. Ocupa, no Brasil, uma posição invejável. Há debates e discordância sobre o as causas dessa redução, mas não a respeito da sua existência.

O estado foi administrado pelo PSDB desde Mario Covas o queintroduz uma dimensão político-partidária. Evidentemente, políticos e simpatizantes afiliados a outros partidos se sentem incômodos com o contraste entre o êxito paulista e o fracasso em tantos estados com governadores de seus partidos.

Os resultados recém divulgados não foram tão bons quanto os anteriores. Os criminólogos olham para isso com tranqüilidade; porém alguns políticos, inclusive jornalistas comprometidos politicamente, sem familiaridade com os dados criminais, expressaram sua alegria.

O que houve? Os homicídios cresceram 0,7% no Estado, porém na capital e na Grande São Paulo caíram 6%, uma queda considerável. Mesmo computando o pequeno aumento, a taxa paulista é, de longe, mais baixa do país. Se os dados seguintes indicarem a mesma tendência à estagnação, muda a forma do fenômeno, que já é conhecida. Chegaram a um plateau. Novas medidas e novas políticas são necessárias para continuar a reduzir os crimes violentos no estado.

O que é isso, o plateau? Algo que acontece com quase todas as políticas públicas bem sucedidas: chegaram ao limite, até onde poderiam chegar. Aconteceu com muitas legislações e com as políticas públicas que se originaram nelas. A “antiga” Lei do Trânsito reduziu as mortes durante quase duas décadas, mas passou a provocar reduções cada vez menores. Alguns chamam isso de efeito-chão (não dá para baixar mais) que, visto positivamente, é um efeito-teto. Os efeitos desse tipo não indicam que chegamos ao limite do possível; indicam que chegamos ao limite dessas políticas. A “nova” Lei do Trânsito provocou uma redução substancial de mais de quatro mil mortes (vidas salvas) só no seu primeiro ano. Infelizmente, a implementação das mesmas medidas ficou cada vez mais desleixadas e as mortes no trânsito voltaram a aumentar. Essa é uma dimensão importante da cultura política, a capacidade de manter as políticas públicas, em oposição a um desleixo que tem determinado o fim da utilidade de tantas políticas públicas relevantes.

É importante saber que, quando há um grande crescimento ou uma grande redução, a composição dos homicídios por sexos se altera. Vítimas e assassinos não são os mesmos quando as taxas são altas e quando são baixas. Os homicídios não são todos iguais; há tipos muito diferentes – difere a vítima, difere o autor, difere a relação entre eles, difere a arma, difere o local da ocorrência e muito mais. No Brasil das últimas décadas, o crescimento dos homicídios tem uma vinculação íntima com o tráfico de drogas e de armas e com o crime organizado (sem colocar o grau de “organização” dos traficantes num nível empresarial). Quando há explosões de homicídios, as taxas de crescimento das mortes masculinas é substancialmente mais alta do que a das femininas. Quando houve redução rápida, ela foi maior entre os homens. As políticas públicas aconselhadas para paises com altas taxas de homicídio são claramente diferentes das aconselhadas para países com baixas taxas.

Quando o êxito das políticas anteriores tem rendimentos decrescentes significa que há necessidade de novas políticas, e/ou de aperfeiçoamento das anteriores. Reduzidos os homicídios relacionados com o tráfico, cresce a significação relativa dos homicídios entre íntimos. Porém, a prevenção de homicídios entre íntimos difere muito da prevenção de homicídios associados ao tráfico etc.

Dados de crimes diferentes não têm a mesma fidedignidade, nem o mesmo peso, daí a dificuldade em construir índices de criminalidade – nos mais simples, que simplesmente somam os crimes, o furto de um celular pesa tanto quanto um homicídio, um absurdo. As pesquisas de vitimização mostram que a sub-enumeração de alguns crimes é de tal magnitude que desfigura os dados. Um “crescimento” pode não significar um crescimento do crime, mas da confiança nas instituições. Há perigosos viéses
seletivos: escolher os que mais cresceram para desacreditar a política ou os que mais caíram para mostrar seus méritos. Um dos artigos publicados mostra um crescimento de 36% nos latrocínios, sem informar que os latrocínios representam uma percentagem pequena do total de mortes violentas intencionais. Naquele trimestre houve 94 latrocínios, 1001 homicídios culposos no trânsito, e 1207 vitimas de homicídios intencionais. A
redução nos homicídios culposos no trânsito foi maior que a totalidade dos latrocínios no trimestre…

Outro dado importante tem a ver com a distribuição geográfica dos crimes com estatísticas confiáveis. Há muita variação entre as taxas dos municípios e das regiões paulistas, sugerindo fenômenos mais localizados que requerem atenção concentrada: algo diferente está acontecendo nessas áreas.

Precisamos melhorar a qualidade dos dados e reduzir a sub-enumeração dos crimes. Enquanto isso não acontece, temos que trabalhar com os mais confiáveis: os que deixam cadáveres, assim como furtos e roubos de veículos, dada a obrigatoriedade do registro para obter o seguro. E o leitor deve se informar para poder ler criticamente o que publica, nunca aceitando como fato o que é opinião.

Gláucio Ary Dillon Soares

Publicado no Correio Braziliense

 
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